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Artista de sensibilidade construtiva, Renzo Eusebi alinha o seu trabalho à arte contemporânea ao potencializar uma linguagem pautada na investigação espacial e na exploração dos movimentos por intermédio de formas dispostas em um jogo cromático desafiador de derivações geométricas.

Ao longo dos últimos anos de sua trajetória artística, a produção de Eusebi percorreu um caminho estético fértil e transformador, tendo a poética construtiva como fio condutor dos trabalhos. Percebe-se em seu olhar referências que dialogam com o suprematismo de Malevich, neoplasticismo de Mondrian e o construtivismo de Tatlin. O artista marca seu território pela abstração geométrica aliada às cores primárias como elementos estruturantes e ordenadores do seu trabalho, acumula indagações e soma possibilidades pelo repetido tratamento da superfície da obra.

Os abreviados e essenciais componentes de sua narrativa são dispostos criando impetuosos agrupamentos discursivos plásticos e inquietos contrapontos pictóricos visuais. Ao fazer um uso limítrofe de materiais e suportes nas suas experimentações de formas expressivas, o artista revela a riqueza e amplitude lúdica de sua linguagem plástica, na qual dimensões e possibilidades quase inexploradas entre o sensível e a matéria consolidam uma estética diferenciada, que confere uma grandiosidade lírica silenciosa às dimensionalidades com as quais trabalha.

Amplia a latitude de seu movimento pela adição e junção; mescla elementos antagônicos no seu corpo de trabalho e instiga o campo visual através de um ritmo que, se nutrido pela relação entre forma, luz, sombra e cor, provoca incessantes deslocamentos oníricos de um ir e vir, uma meticulosa experiência imersiva que reativam outros territórios no fluxo do seu trabalho artístico.

O ponto de passagem da bidimensionalidade para a tridimensionalidade surge pela volumetria das obras. Os quadros são concebidos como uma arquitetura de elementos geométricos em suas múltiplas e domáveis possibilidades compositivas. Os volumes geométricos, modulados e seriais parecem ter uma questão manancial: um conjunto de elementos abstratos combinados, sistematicamente repetidos, revestidos com variações cromáticas primárias infinitas sobre as mesmas construções básicas que apresentam combinações visuais surpreendentes.

Eusebi consolida um interesse pela criação de experiências que evoquem um tempo particular no observador. Esse procedimento preciso, porém sutil, pelo próprio manuseio artesanal, instaura um equilíbrio, domina e potencializa uma luminosidade mais indeterminada e parece encontrar uma inesperada serenidade, como se estivesse ali, aquietando a inquietude da alma e nos instiga a um irresistível mergulho na atmosfera de suas belas partituras visuais.

 

Patricia Toscano
Curadora e Crítica de Arte