Podemos ajudar?

Parábolas Visuais

 

 

As pesquisas geométricas associadas ao rigor matemático e à complexidade das formas interceptadas pelas alusões inconscientes e existenciais, pautam e orientam parte significativa das abstrações geométricas de Luiz Antonio Caligiuri, o artista CALLI.

Nessa mostra o artista apresenta um corpo de trabalho segmentado em duas séries de momentos distintos que dialogam nas confluências de sua trajetória artística. A primeira série ‘Símbolos inconscientes e influências’, criada no seu ateliê no Rio durante o período pandêmico, em 2019, reúne pinturas e desenhos de grandes e médios formatos na primeira sala. A segunda série, ‘Vivências’, criada entre 2012 e 2017, ocupa a segunda sala com pinturas de grandes formatos.

CALLI é formado em Arquitetura e Urbanismo, perpassando por Artes Visuais na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Durante sua trajetória e experiência como diretor de arte e cenógrafo ao longo de 20 anos na Globo, assinou a cenografia de mais de 30 novelas e minisséries, filmes e espetáculos musicais e teatrais. Este background permitiu voos consistentes por novos horizontes no universo da arte, sendo sua convivência e amizade com o consagrado artista Tunga, admirador profundo e incentivador de sua obra, o marco decisivo e ponto de partida para fluir por novos rumos contemporâneos, realizando exposições no Brasil e exterior, onde suas obras fazem parte de relevantes coleções.

Os trabalhos desdobram as principais características de sua prática, entrelaçando formas, materiais e procedimentos, capazes de sintetizar e conectar sua abordagem formal com um discurso humano engajado com a atualidade. Em uma amálgama de organização e caos, sem que o resultado se torne incompreensível, suas pinturas e desenhos expressam o voo do pensamento simbólico, ordenado e ao mesmo tempo assimétrico em construções imagéticas singulares.

A geometria de CALLI transcende o sentido físico e exato, sua poética de profusão cromática aliada a justaposição de formas indistintas, revela a singularidade do salto quântico de sua qualidade pictórica. O trabalho traz referencias da História da arte e Filosofia e nos remetem a Kandinsky, quanto as formas e símbolos, Miró, por suas composições cromáticas, Dalí, por suas interpretações do inconsciente e Espinoza, por suas reflexões quanto aos desejos existências. Essas inspirações orientam parte significativa de sua linguagem e estética construtiva existencial, que aliada a peculiaridade de um certo grafismo, cria uma nova perspectiva atmosférica e dimensão plástica inusitada nesta exposição.

Com riqueza de detalhes, parábolas visuais e configurações simbólicas que traduzem experiências humanas, surgem em meio à abstração geométrica. Convidativas metáforas que transitam nesse espaço-tempo arrematam nossa visão existencial, enquanto signos de vivências e desejos instigam o público a imergir nestes cenários interpretativos ressignificados, como caminho plástico metafísico de interpretação poética nesta sagrada geometria Calligiuriana.

Rio de Janeiro, 18 de maio de 2021

Patricia Toscano
Crítica e Curadora de arte