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No Centro Cultural Correios RJ, artista Ribahi inaugura individual ‘Gênese’, com curadoria de Charles Cosac,

No caminho das pedras e dos metais, Ribahi trilha sua carreira como artista visual e apresenta, de 9 de setembro a 24 de outubro de 2021, a individual “Gênese”, com 11 obras em quartzos, ônix, fuchisita verde, pedras, vergalhões, arame e latão, materiais brutos que, através das mãos do artista, ganham representações sutis e relevantes. A sala circular do Centro Cultural Correios RJ, onde acontece a exposição, sob curadoria de Charles Cosac, oferece arquitetura privilegiada para que o público possa circundar as obras do artista, cuja natureza é elementarmente tridimensional e instiga a observação de todos os ângulos.

Tendo transitado por diversos campos das Artes, como teatro, cinema e literatura, foi nas artes plásticas que Ribahi se encontrou:

“Deixei os estudos de Engenharia para entrar em uma companhia teatral. Essa paixão pelo teatro me levou à Itália, e por ali fiquei. Fundei minha produtora e por 25 anos criei, dirigi, escrevi e atuei. No início, imaginava minhas peças como joias; utilizava as mesmas técnicas e os mesmos materiais. Pedras e metais. O metal transmite solidez, as pedras, emitem luz. Minha experiência trabalhando em uma fábrica de joias na Tailândia foi fundamental para um primeiro momento da minha carreira, uma vez que lá tive a oportunidade de aprimorar técnicas que empreguei nas primeiras criações. Em 2016, depois de 27 anos como emigrante, retornei para o meu amado Rio de Janeiro”, relembra.

 

No Centro Cultural Correios RJ, artista Ribahi inaugura individual 'Gênese', com curadoria de Charles Cosac,
Embrião

 

 

 

A exposição Gênese abarca a produção recente, de 2020 a 2021, do artista

O curto caminho percorrido pelo artista, dos anos 2018 a 2021, é coerente e promissor, e essa mostra traduz seu rápido desenvolvimento e maturidade desde sua última exposição coletiva, Encantos, de 2019”, analisa o curador, Charles Cosac.

Sua primeira série, os Corações, tem grande débito à linguagem da joalheria, profissão essa que o artista exercera por vários anos, e que não somente o inspirou, mas também lhe conferiu um profundo conhecimento e domínio do universo da fundição, ourivesaria, fusão de diferentes materiais e, sobretudo, a intimidade com as gemas – um dos “ingredientes” mais importantes em sua obra. Considerando o tão curto intervalo, há uma grande evolução entre as obras nas exposições Encantos e Gênese. Nas obras apresentadas na primeira, a saber, os Corações, Cicatrizes, Buracos negros e, por fim, a obra que apontaria os caminhos que o artista viria a trilhar, Suspensão – Ribahi descontruía e reconstruía pedaços de cristais de toda a sorte, criando assim uma gemologia própria, drusas inimagináveis que satisfaziam seu objetivo de preencher o vazio.

“Ele criava um diálogo entre as gemas e os metais. Ao passo que as obras ora expostas respeitam o formato natural da rocha ou da pedra, que, com o uso do ferro, criam um conjunto poderoso, misterioso e mais intrigante”, complementa Cosac.

 

No Centro Cultural Correios RJ, artista Ribahi inaugura individual 'Gênese', com curadoria de Charles Cosac,
Homo Faber

 

 

Gênese nas palavras de Charles Cosac:

As florestas contrastam a organicidade da pedra natural a vergalhões de ferro verticais, que as mantêm suspensas. Os vergalhões florescem de uma base maior, igualmente de pedra. Embora o uso da pedra não seja o fim, mas o meio, essas obras, sem a menor intenção de enfatizar a beleza natural, nos apresentam uma natureza alternativa, uma nova ordem com os mesmos conteúdos que a natureza nos dá. Sinto que elas trazem grande impacto visual ao expectador que se vê ante um mundo impossível, mas ao mesmo tempo tão familiar. Isso porque é capaz de reconhecer na obra, quase abstrata, a ideia que temos de uma floresta.

O artista nos surpreende com um belíssimo satélite, nomeado Embrião, ao usar os mesmos princípios que nas florestas, e a mesma fortíssima dose ilusória. A falsa leveza do ferro confere à obra e às pedras uma sensação de levitação. Das florestas e dos satélites nascem os bustos. O primeiro é feito com um simples porém resistente vergalhão de ferro, que une uma pedra-busto à uma pedra-cabeça. Está aí posta a imagem humana, da qual sempre tentamos escapar, mas de modo inevitável terminamos por registrá-la. A obra Sleep traduz uma nova tentativa: a mera e simples justaposição, que produz belamente a serenidade de um ser dormente. O mesmo pode ser percebido no busto intocado, chamado Austeridade.

Homo faber, que nos recebe de braços abertos, é provavelmente derivada de uma experiência anterior, intitulada Pietá. Nessa, o artista cria uma figura humana por meio do simples posicionamento de cristais de rocha rosa sobre uma engenhosíssima base de ferro. Assim, Homo faber não é a primeira e não será a última representação humana, dado que o artista já tem em mente o Homem vitruviano.

A despeito do valor formal e escultórico da obra de Ribahi, é possível que, a partir da noção harmônica renascentista, ele tente buscar e adotar novas vozes e novas noções de harmonia na natureza e na “atuação” do ser humano sobre ela. Cabe dizer que se o tema sugere um discurso afinado com a ecologia, o artista não tenta legitimar a sua obra em problemas dessa ordem. Afinal, a arte não pode ser sempre pautada por conflitos socioeconômicos, tampouco por seu discurso crítico vigente. A arte é, antes de tudo, liberdade, e disso o artista não abre mão.

 

No Centro Cultural Correios RJ, artista Ribahi inaugura individual 'Gênese', com curadoria de Charles Cosac,
Floresta

 

No Centro Cultural Correios RJ, artista Ribahi inaugura individual 'Gênese', com curadoria de Charles Cosac,
Ermitão

 

 

Saiba mais sobre o artista

Ribahi nasceu em Patrocínio, Minas Gerais, em 1965. Foi criado na fazenda da família solto e selvagem como diz o artista. Em suas andanças sozinho pelos campos sempre observou os grandes cupinzeiros. Foi nessas primeiras incursões com a experiência do barro que Ribahi se descobriu artista. Deixou a engenharia, que estudou por três anos no Rio, para entrar em uma companhia teatral. Essa paixão pelo teatro o levou à Itália e por ali ficou. Fundou sua produtora e por 25 anos criou, dirigiu, escreveu, produziu e atuou. Mergulhou em vários campos: teatro, cinema, literatura e nas artes plásticas sintetizando todas essas experiências visuais. Esta é a terceira individual do artista, que já realizou A Arquitetura Divina (Centro Cultural Correios RJ, Rio de Janeiro, 2020) e Encanto (Espaço Conceito +, São Paulo, 2018). Em 2020, expôs a instalação “O Redentor”, na praça externa do Centro Cultural Correios, com mais de 1.000 tijolos na estrutura, uma caixa d’água para representar a cabeça e telhas metálicas perfuradas por balas para representar os braços.

 

 

Serviço:       

“Gênese” – Ribahi apresenta 11 esculturas em pedra e metal

Abertura: dia 9 de setembro, quinta-feira, às 17h30

Período: de 10 de setembro a 24 de outubro de 2021

Curadoria: Charles Cosac

Centro Cultural Correios RJ

Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro – RJ.

Visitação: de terça a sábado, das 12h às 19h

Entrada gratuita