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NFTs Art verdes carbono-negativa: menos impacto ambiental e mais impacto sociocultural positivo

Talvez muita gente não saiba, mas as plataformas de blockchain que sediam as movimentações de criptomoedas e da NFT Art consomem uma quantidade considerável de energia, gerando um significativo impacto ambiental. Assim como qualquer coisa que utilize tecnologia é inegável o seu real impacto na natureza.

Embora as transações de Crypto Art sejam apenas uma parcela deste mercado, artistas mais conscientes esboçam uma preocupação e cuidado com o meio ambiente. Recentemente, um leilão feito apenas com NFTs sustentáveis arrecadou milhões de dólares para a Open Earth Foundation, e os artistas já visam criar NFT Art carbono-negativa.

O intuito é estabelecer um mercado de arte NFT e o blockchain de forma mais ampla e consciente, servindo para cultivar um ecossistema menos destrutivo. Para um grupo de artistas especializados, ativistas e teóricos do meio, suas visões convergem de um espaço que é ao mesmo tempo terreno fértil e um novo campo a ser desbravado para a nova ecologia da Crypto Art.

Devemos considerar a criptomoeda como uma nova camada essencial da arte expandida. Isso requer separar a possibilidade técnica de gerar e armazenar obras de arte digitais singulares da questão de preço, moeda e meio de pagamento.

Beeple, atualmente um dos mais importantes artistas NFT Art, já afirmou que suas obras não irão mais agredir o meio ambiente: “Acho que você verá muitos outros artistas fazerem o mesmo”, contou ao The Verge.00

 

NFTs Art verdes carbono-negativa: menos impacto ambiental e mais impacto sociocultural positivo
E-Z Kryptobuild Collectors Coins (Edition of seven)

 

A maior parte dos NFT’s é registrada na plataforma de blockchain Ethereum, que consome cerca de 27 trilhões de watts por ano. Em uma única transação em Bitcoin utiliza-se de até 290 quilos de CO², o mesmo consumo que em 8 km de voo de um Boeng 747-400 e o  mesmo que as 120 mil horas consumidas de vídeos no YouTube. E a pegada de carbono de um NFT de edição única média é equivalente a dirigir um carro a gasolina por 1.000 quilômetros. Para as edições superiores, os números equivalem a dezenas de voos transatlânticos.

 

NFTs Art verdes carbono-negativa: menos impacto ambiental e mais impacto sociocultural positivo
NFT sustentável: “Bury”, Reisinger Andre

 

Por essas e outras, a Enjin propôs a criação da JumpNet, uma blockchain que consome 30 milhões de watts anualmente, cerca de 0,1% do utilizado pela Ethereum.

“Embora esteja se tornando amplamente aceito que o blockchain é a chave para a construção de mercados livres e transparentes, concordamos que deve existir uma maneira de conseguir isso sem sacrificar o planeta”, afirmou a Enjin.

Muito em breve em 2021, uma nova versão da Etherium se tornará mais consciente, devido a uma mudança no seu algoritmo de consenso de prova de trabalho (PoW – proof-of-wook) para prova de aposta (PoS – proof-of-stake). Essa mudança permitirá que a rede da Ethereum funcione sozinha com muito menos energia e também com maior velocidade de transação. A prova de aposta permite que os participantes da rede “stake” seu éter na rede. Este processo ajuda a proteger a rede e processar as transações que ocorrem. Aqueles que fazem isso são recompensados ​​éter semelhante a uma conta de juros. Esta é uma alternativa ao mecanismo de prova de trabalho do Bitcoin, em que os mineradores são recompensados ​​com mais Bitcoins pelo processamento de transações.

Enquanto isso, muitos continuam se preocupando com essa questão criando iniciativas conscientes, como o analista Jason Bailey, que criou o site Green NFTs, com o propósito de arrecadar fundos para financiar a pesquisa dos chamados ‘NFTs Verdes’, que são sustentáveis.

 

NFTs Art verdes carbono-negativa: menos impacto ambiental e mais impacto sociocultural positivo
‘Ocean Front’ de Beeple

 

A NFT Art carbono-negativa, como o nome sugere, não demanda tanto gasto enérgico em sua produção e comercialização, ela é feita praticamente com gasto neutro. Essas obras, aliás, integraram o leilão em prol da Open Earth Foundation, tendo como principal venda a obra ‘Ocean Front’, de Beeple, por US$ 6 milhões.

“Acho fascinante que, nos últimos quatro anos, você não tenha visto um único investidor ou inovador dizendo: ‘Ah, adoro isso, mas não vou tocar no Bitcoin por causa do consumo de energia. Mas assim que toca a arte, meio que explode”, afirma Martin Wainstein, fundador da Open Earth Foundation.

Inclusive, a partir do dia (06/04/2021), a GameTalkTalk permitirá que seus 3 milhões de usuários utilizem as ferramentas da Enjin para criar NFTs sustentáveis. Embora neste caso o uso tenha relação com o mercado de games (personalização de avatares), a tendência é de que cada vez mais, os NFTs Verdes sejam utilizados.

 

NFTs Art verdes carbono-negativa: menos impacto ambiental e mais impacto sociocultural positivo
Enjin e GameTalkTalk lançarão NFTs sustentáveis

 

“Muitos consideram que a combinação de arte e criptomoedas não se qualifica tanto como um novo movimento artístico quanto como um novo meio de venda e especulação de arte, na verdade, um meio que replica o próprio sistema que originalmente pretendia interromper. Outros o criticaram pelos consideráveis custos de energia e danos ecológicos que são incorporados ao novo meio.

Mesmo assim, muitos artistas não estão usando a tecnologia blockchain para distribuir suas obras de arte, mas sim como um meio de criar novas obras de arte que de outra forma não seriam possíveis” Segundo Primavera De Filippi, pesquisadora permanente do CNRS e Docente Associada do Centro Berkman Klein para Internet e Sociedade da Universidade de Harvard.

O mercado de arte tradiconal de $ 65 bilhões é um dos mercados mais centralizados do mundo. Um pequeno número de artistas com acesso a apenas algumas instituições de prestígio têm duas vezes mais exposições do que artistas sem acesso e são negociados 4,7 vezes mais em leilão, a um preço máximo 5,2 vezes mais alto.

Infelizmente, se o artista não nasceu em um dos poucos países com uma ou mais instituição relevantes que apoiam a arte, tem uma chance quase zero de ter sucesso no mercado de arte tradicional. E nascer em um país com instituições relevantes também não é garantia de que você terá uma chance justa de sucesso. Se você é uma mulher ou uma artista negra, as chances ainda são menores, pois 96,1% das obras de arte vendidas em leilão são de artistas homens; onde se concentra 41% do lucro; não há mulheres no top 0,03% do mercado de leilões, e 80% dos artistas nas principais galerias, principalmente de Nova York são brancos (e quase 20% são graduados em universidade e formações de renome). Segundo pesquisas analisadas.

Sendo assim, a blockchain vem possibilitado a criação de um ecossistema revolucionário no qual a arte “autônoma” que se auto-reproduz possa florescer independentemente de seu criador original, mas garantido autenticidade, transparência e royalties.