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Mostra ‘Abraham Palatnik: A reinvenção da pintura’ está em destaque no CCBB-BH

O Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte apresenta ‘Abraham Palatnik: A reinvenção da pintura’, retrospectiva do artista plástico brasileiro considerado um dos pioneiros da arte cinética no mundo. Abraham Palatnik (1928-2020) é conhecido por romper com os critérios convencionais de composição, abandonar o pincel e o figurativo e partir para relações mais livres entre forma e cor.

A mostra está em exibição de 3 de fevereiro a 19 de abril de 2021, com curadoria de Felipe Scovino e Pieter Tjabbes.

Esta exposição tem, acima de tudo, um tom de homenagem a Abraham Palatnik (1928-2020). Queremos celebrar a obra e o legado desse artista seminal, que se dedicou intensamente ao trabalho e foi adorado por todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

Sua obra caracteriza-se por uma qualidade inegável: permite não só observar as passagens do moderno ao contemporâneo, mas também estudar e reconhecer uma das primeiras associações entre arte e tecnologia no mundo, um diálogo cada vez mais presente a partir da metade do século XX. Esta exposição ultrapassa os limites da pintura e da escultura modernas, intenção que o artista manifestou claramente nos Aparelhos cinecromáticos, nos Objetos cinéticos e em suas pinturas, quando passou a promover experiências que implicam uma nova consciência do corpo.

A contribuição de Palatnik para a história da arte não se dá apenas (como se isto fosse pouco) por sua posição como um dos precursores da chamada arte cinética — caracterizada pelo uso da energia, presente em motores e luzes —, mas também pela leitura particular que faz da pintura e em especial pela articulação que promove entre invenção e experimentação. Seu lado “inventor” está presente em uma artesania muito particular que o deixava cercado em seu ateliê por porcas, parafusos e ferramentas construídas por ele mesmo, e não pelas tintas, imagem característica de um pintor.

O crítico de arte Mário Pedrosa e o escritor Rubem Braga já afirmavam, na década de 1950, que Palatnik pintava com a luz. É importante destacar que sua obra vai além de um dado lúdico ou participativo, e que estamos, portanto, diante de um marco na história da arte: um diálogo preciso entre tecnologia e intuição. Além disso, o experimentalismo e a organicidade sobrevoam a sua trajetória — em particular a série de pinturas que utilizam a madeira como suporte e meio.

A exposição também chama a atenção para mais dois aspectos importantes: a forma como o artista explora o tempo em suas obras e a sua ligação com a indústria. O movimento no espaço ativado por sua obra promove uma suspensão do tempo com o qual nos habituamos na vida moderna. Tudo se torna mais lento, delicado e preciso enquanto somos deslocados para um espaço cujas referências se perdem. Não há um centro, pois nossos olhos são constantemente intimados a percorrer os diversos percursos oferecidos.

Palatnik dinamizou a arte concreta expandindo-a para além de seu campo usual e integrou-a à vida cotidiana por intermédio do design. Ao longo de sua trajetória, produziu cadeiras, poltronas, ferramentas, jogos e sofás, entre outros objetos. Sua obra habita o mundo de distintas maneiras, apontando para uma formação incessante de novas paisagens e leituras à medida que diminui, desacelera e molda o tempo.

Nesta exposição reunimos todos esses momentos da obra extraordinária de Abraham Palatnik. Uma obra que oferece ao público experiências marcantes e solicita, em troca, uma entrega total.

 

Mostra 'Abraham Palatnik: A reinvenção da pintura' está em destaque no CCBB-BH
Foto: Flávio Tavares/O Tempo

 

Mostra 'Abraham Palatnik: A reinvenção da pintura' está em destaque no CCBB-BH
Foto: Flávio Tavares/O Tempo

 

Mostra 'Abraham Palatnik: A reinvenção da pintura' está em destaque no CCBB-BH

 

Mostra 'Abraham Palatnik: A reinvenção da pintura' está em destaque no CCBB-BH
Abraham Palatnik, artista plástico

Texto curatorial de Felipe Scovino e Pieter Tjabbes