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MAM Rio e o Galpão Bela Maré voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ de Marcos Chaves e o artista engaja o público nas redes

Em uma ação conjunta, o MAM Rio e o Galpão Bela Maré, voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ na passarela 9 da Avenida Brasil. A obra é parte da exposição ‘Marcos Chaves: as imagens que nos contam’, individual do artista no MAM Rio inaugurada no sábado (29/03), último final de semana antes do museu fechar temporariamente, devido ao agravamento da pandemia.

Amarésimples / Amarécomplexo foi criado por Marcos Chaves em 2011, na exposição ‘Travessias’, que inaugurou o Galpão Bela Maré. As faixas com as frases foram instaladas na Passarela 9, nos dois sentidos da Av. Brasil. Além dessa intervenção, foram produzidas camisetas e adesivos que até os dias de hoje, circulam pelos lugares e ruas da cidade. Desde então, as vendas dessas peças foram revertidas para a manutenção do Galpão, cujo trabalho realiza a democratização e difusão de todos os tipos de expressões artísticas e seu amplo funcionamento.

A obra dialoga com o público sobre amor e pertencimento, fazendo um jogo de palavras com o nome da região Complexo da Maré, além de ressaltar as dificuldades socioeconômicas e o descaso governamental vivenciado por essas comunidades na Zona Norte da Capital Fluminense. Hoje a área tem 47.758 mil lares que abrigam 139 mil moradores, segundo o Censo realizado em 2019 pela associação dos moradores e duas ONGs locais, Redes da Maré e Observatório das Favelas. É o mapeamento qualificado mais recente não oficial, mas que complementa a o último Censo do IBGE oficial realizado somente em 2010.

 

MAM Rio e o Galpão Bela Maré voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ de Marcos Chaves e o artista engaja o público nas redes

 

MAM Rio e o Galpão Bela Maré voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ de Marcos Chaves e o artista engaja o público nas redes

 

O trabalho participou de exposições coletivas, fez parte do show ‘Verdade uma ilusão’ da cantora Marisa Monte, e serviu de inspiração para projetos como o Amaréfunk.

 

MAM Rio e o Galpão Bela Maré voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ de Marcos Chaves e o artista engaja o público nas redes

 

“Ao criar as frases-poemas Amarésimples / Amarécomplexo’ para a exposição Travessias, realizada em 2011 no Galpão Bela Maré, Nova Holanda, o artista sintetizou com leveza e inteligência os conflitos urbanos cariocas, a constituição de pertencimento através da autoestima local e a crítica política ao descaso social, econômico, cultural e educacional que comunidades populares vivem na cidade. Ao localizar suas grandes faixas com os escritos sobre a Avenida Brasil, acrescentou mais uma camada poética ao transformar a Maré em maré de carros e ônibus que passam metálicos e cansados pela avenida. Amor, memória, política, tudo era ativado ao mesmo tempo pelas palavras sobre o Complexo da Maré“, diz o curador Frederico Coelho, em seu texto para a exposição Travessias. Leia o texto na íntegra.

 

“A instalação ‘Amarésimples / Amareécomplexo’, assim como a obra ‘Eu só vendo a vista’, são frases terrivelmente polissêmicas sem necessariamente terem duplo sentido, elas te convidam a refletir sobre as infinitas possibilidades de leitura. A interpretação literal vira uma tarefa impossível, Marcos Chaves proporciona ao observador um desafiador jogo interpretativo. Nos faz re/pensar sobre esse lugar, sobre toda a cidade, suas ocupações e narrativas possíveis sobre esses territórios.

A obra amplifica a dimensão e a complexidade da cidade que Chaves observa. O olhar do artista capta elementos em múltiplos lugares, vai do lugar que é mais visto e talvez menos reconhecido, como o Pão de Açúcar e suas curiosas formas até um simples cotidiano na Maré, extraindo elementos interessantes pouco percebidos. A cidade tem uma dimensão mais sábia do que se reconheça, e o engajamento dessa geografia com a complexidade deste território se apresenta nessa obra. O trabalho apresentado por meio desta intervenção realiza uma conexão e diálogo entre esses espaços públicos e privados, com uma capacidade de expansão, interlocução e relacionamento com pessoas que possam não estar interessadas nas linguagens tradicionais da arte.”, comentam sobre a obra os diretores artísticos do MAM Rio, Pablo Lafuente e Keyna Eleison.

 

Agora, através dessa parceria institucional iniciada em 2020, o MAM Rio e o Bela Maré, junto ao Marcos Chaves, retomam essa iniciativa e propõem uma ressignificação e releitura da ação sendo parte da exposição individual do artista e das celebrações dos dez anos do Galpão. Foram produzidas novas tiragens especiais das camisetas e adesivos e uma obra do artista que faz parte do clube dos colecionadores, para serem vendidos no MAM, com parte das vendas revertidas para o Galpão.

“Muito feliz em estarmos juntos nestas ações de grande importância para nossa cultura. Entendo que ajudar estes incríveis projetos culturais periféricos também é nosso dever. Estamos vendendo adesivos na loja do MAM Rio com estas frases feitas pelo querido artista Marcos Chaves, 50% da receita será revertida para o Galpão Bela Maré”, comenta o diretor executivo do MAM Rio, Fabio Szwarcwald, no instagram do artista.

Além das faixas, as demais obras da exposição exibem a pluralidade de formatos, expressões e linguagens desenvolvidos desde o início da trajetória do artista e evidenciam um impulso criativo constantemente engajado com a realidade da qual se insere.

A diversidade das obras, sejam fotográficas, vídeos, escultóricas ou instalações, apreendem aspectos essenciais inusitados dos cenários do nosso cotidiano habitado por sua apropriação ótica reflexiva. Com o olhar perspicaz típico da genialidade artística reveladora de Chaves, o artista captura e transpõe elementos visivelmente ignorados. Aspectos irrelevantes ao olhar comum, se rendem à sagacidade perceptiva frequente de sua visão apurada. Em suas apropriações e releituras propositivas, disponibiliza estruturas condescendentes aos universos que coabitamos.

 

“A exposição ‘As imagens que nos contam’ é complexa e rica, afinal são quase quatro décadas de uma prática de produção artística muito livre. Marcos Chaves é um artista que brinca seriamente com os formatos e com a falta de seriedade também. Um artista com uma leveza e irreverência surpreendente, que aproxima muitos assuntos e realidades com uma economia de linguagem e capacidade de identificar a polissemia das coisas muito peculiar. Um fazer artístico que mais aponta do que cria objetos ou adiciona coisas no mundo. Ele identifica o que merece ser avistado e percebido repetidamente. A exposição apresenta um recorte entre o passado e o presente, reúne trabalhos apresentados em momentos anteriores e oferece uma oportunidade para revisitá-los com o olhar inédito de um novo contexto, configuração e constelação.”, comentam sobre a exposição, os diretores artísticos do MAM Rio, Pablo Lafuente e Keyna Eleison.

 

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Globo terrestre com peruca, 1992 – Globo terrestre e peruca – Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio

 

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(Não) falo duas vezes, 1995 – Vidro e letra adesiva – Coleção do artista

 

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Mess Age, 1991 – Canivete e plástico – Coleção do artista

 

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Pontos de fuga, 2008 – C-prints em metacrilato – Coleção do artista

 

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Sem título – Vinil sobre PVC – Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio e Boca – Fotografia digital – Coleção do artista e – Ambas ano 2005

 

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Strike (pause), 1991 – Rodo e régua – Coleção do artista

 

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Cry Me a River – sem data – Vídeo, 4’31” – Coleção do artista

 

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Fontana, 2003/2021 – Fonte Fita adesiva – Coleção do artista

 

“Ao retomar Amarésimples / Amarécomplexo para a exposição, destaco o ‘Amarésimples‘ antes do ‘Amarécomplexo’, como manifesto necessário diante dos tempos pandêmicos e crise política e social sombria que estamos vivendo, tão ávidos da simplicidade do ato de Amar reverberar no nosso cotidiano, gesto simples e humano ao alcance de todos nós”, diz o artista Marcos Chaves.

 

“O MAM Rio em sua relação de parceria com o Galpão Bela Maré no ano passado durante a pandemia, com a nova gestão do Fabio Szwarcwald, decidiu que o clube dos colecionadores, sendo uma ferramenta de sustentabilidade do museu, seria compartilhado com essas instituições parceiras, como o Galpão Bela Maré. Nós também já tínhamos pensado no interesse mútuo de nos aprofundar nessa relação de parceria institucional e quando acontece a exposição ‘As imagens que nos contam’ do Marcos, faz muito sentido pensar na obra ‘Amarésimples / Amareécomplexo’ novamente. Que ela fortaleça e evolua o relacionamento entre todos nós, o MAM Rio, Galpão Bela Maré, o público e o artista.

Essa ação rapidamente fez muito sentido para gente. É importante pensar no visitante que pode ser de muitos lugares diferentes vindo de diversas direções, nas suas possíveis dificuldades de mobilidade na cidade, inclusive na falta de direito à cidade que infelizmente o Rio oferece a parte de seus cidadãos. Há um público transitório que vai de encontro com essa arte, as pessoas passantes vindo do Galpão Bela Maré, e os que passam nos veículos na Avenida Brasil. Faz sentido para nós indicar para as pessoas que visitam a exposição no Museu, que parte da exposição acontece na Maré, e que é possível experiencia-la também lá. Todas essas aproximações juntas fazem muito sentido para gente. Realizar conexões reais e simbólicas de colaboração, abrem novos campos de trabalho. O Marcos, com o propósito dessa instalação, reforça o desejo do MAM Rio em realizar um trabalho com as pessoas do Galpão Bela Maré e estabelecer uma conexão consciente que vai além da exposição e terá continuidade nas próximas programações do MAM Rio.”, comentam sobre a parceria e a ação conjunta os diretores artísticos do MAM Rio, Pablo Lafuente e Keyna Eleison.

 

Nesse movimento coletivo, a obra também se faz através das fotografias ou vídeos de qualquer pessoa que quiser se apropriar, criar situações com os adesivo, as camiseta, as faixas ou obra do clube de colecionadores e publica-los pelo @instagram.

Em apoio a esta ação artística consciente, a partir da reabertura do MAM que acontecerá no dia 06 de maio, convidamos o público a se engajar nesta operação colaborativa expandida de reflexão crítica e fruição poética sobre a cidade, seus afetos, seus espaços físicos e virtuais.

As imagens que trouxerem as hashtags #AmaréSimples #AmaréComplexo #MarcosChaves serão aprovadas e repostadas nos perfis @marcoschaves, @galpaobelamare e @crio.art.

São as fotografias publicadas nas redes e no Instagram que darão ainda mais vida ao propósito da obra do artista. Quanto maior o alcance na cidade e viralização nas redes, quanto maior a amplitude da ativação, maior a ressonância da obra em seus múltiplos sentidos. Amar é simples. Amar é Complexo. Amar é ‘SoliedariedArte’ como ato de amar compartilhando arte consciente por toda parte.

 

MAM Rio e o Galpão Bela Maré voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ de Marcos Chaves e o artista engaja o público nas redes


Sobre Marcos Chaves

Marcos Chaves nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1961. Formado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Santa Úrsula (RJ), estudou arte no MAM Rio e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O artista se apropria de imagens e objetos cotidianos encontrados em suas constantes andanças pela cidade e com eles realiza combinações inesperadas, promove deslocamentos de sentidos ou injeta uma dose de paródia. O resultado surge em fotografias, vídeos, objetos ou instalações. Chaves expôs em museus e galerias no Brasil, na Europa, nos EUA e no Japão. Participou da Manifesta 7, na Itália; das bienais de São Paulo; Mercosul, em Porto Alegre; Cerveira, Portugal; e Havana, Cuba. Obras suas fazem parte de coleções de museus no Brasil, EUA, Itália e Espanha.

 

MAM Rio e o Galpão Bela Maré voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ de Marcos Chaves e o artista engaja o público nas redes
Crédito: Fabio Souza


Sobre o MAM Rio

O MAM Rio é uma instituição cultural constituída como uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, apoiada por pessoas físicas e por empresas, que tem atualmente, como parceiro estratégico, o Instituto Cultural Vale e como patrocinador master o Grupo PetraGold, a Petrobras e a Ternium.

Desde janeiro de 2020, a nova gestão do MAM Rio, deu início a um processo de profunda transformação institucional envolvendo novas ideias, novos fluxos de trabalho e novas atitudes. As ações do processo de transformação buscam coerência com o projeto original do museu, pautado pelo tripé arte-educação-cultura. Um movimento de potencialização das ações já realizadas no museu, em consonância com seu histórico, e de acolhimento de todos que desfrutaram da efervescência dos diversos espaços do MAM Rio, incluindo públicos que nunca visitaram a instituição.

 

MAM Rio e o Galpão Bela Maré voltam a instalar as faixas ‘Amarésimples / Amarécomplexo’ de Marcos Chaves e o artista engaja o público nas redes
Crédito: divulgação


Sobre o Galpão Bela Maré

Inaugurado em 2011, o Galpão Bela Maré, localizado em Nova Holanda, uma das 16 favelas que compõem o Conjunto de Favelas da Maré, é uma iniciativa do Observatório de Favelas, em parceria com a produtora Automatica e representa a construção de um espaço alternativo dentro do cenário das artes do Rio de Janeiro metropolitano.

O espaço foi inaugurado com o objetivo de contribuir para a democratização e difusão de todos os tipos de expressões artísticas e seu amplo funcionamento comprova como é possível descentralizar tanto os equipamentos culturais quanto as possibilidades de produção, difusão, formação e fruição estética na cidade.

Exposições, ações educativas, seminários e outras atividades artístico-culturais, fazem parte das ações desenvolvidas a fim de mobilizar conceitos, metodologias e práticas estéticas e culturais como bem público e como mediação para efetivação de direitos plenos da cidadania.

Em 2019, o Galpão inaugurou a “ELÃ – Escola Livre de Artes”, a partir de uma parceria entre o Observatório de Favelas, a Automatica Produtora e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). A proposta da ELÃ surgiu de um desejo de composição por um espaço de criação e reflexões no campo estético e político, e de fomento à produção artística contemporânea, e se coloca como ambiente aberto a jovens artistas das regiões periféricas da metrópole do Rio de Janeiro.

Galpão Bela Maré fica na Rua Bittencourt Sampaio, 169, Maré. Entre as passarelas 9 e 10 da Av. Brasil. O Galpão Bela Maré está temporariamente fechado devido a pandemia.

 

SERVIÇO:

Marcos Chaves: as imagens que nos contam

  • Reabertura: 06 de Maio de 2021
  • Exposição: De 20 de março a 28 de junho de 2021
  • Local: MAM Rio
  • Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro
  • Telefone: +55 (21) 3883-5600
  • Site: https://www.mam.rio/
  • Instagram: @mam.rio
  • Horários: Quintas e sextas, das 13h às 18h – Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Obs: fechado temporariamente devido ao decreto e agravamento da pandemia.
  • Ingressos: Contribuição sugerida, com opção de acesso gratuito
  • Valores sugeridos: Adultos: R$ 20 Idosos, crianças e estudantes: R$ 10
  • Ingressos on-line: www.mam.rio/ingressos
  • Patrocinadores do master do MAM Rio: Grupo PetraGold, Petrobras e Ternium
  • Parceiro estratégico: Instituto Cultural Vale