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MAC USP exibe retrospectiva ‘Regina Silveira: outros paradoxos’ como parte da 34ª Bienal de São Paulo

Regina Silveira é uma das maiores artistas brasileiras de sua geração. Reconhecida internacionalmente por seu trabalho e carreira como artista, pesquisadora e professora, Silveira participou ativamente da história institucional do MAC USP em diferentes momentos. Além disso, tornou-se figura de destaque nos debates sobre a arte como forma de conhecimento depois que a Universidade de São Paulo inaugurou o primeiro Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Brasil, em 1974.

Em 2019, o MAC USP recebeu a doação de 42 obras da artista em parceria com a Galeria Luciana Brito, completando um conjunto significativo de sua produção no acervo do museu. Para marcar esta importante doação, apresentamos a exposição retrospectiva ‘Regina Silveira: Outros Paradoxos’ entre 28 de agosto e 3 de julho de 2022. O título remete a O Santo Paradoxo, uma das obras do artista incorporada ao acervo do museu em 1994, mas principalmente à inquietação característica de Silveira em questionar a vida e a arte. 

Esta mostra apresenta gravuras produzidas na década de 1960, quando Silveira era uma jovem recém-formada pelo Instituto de Artes da UFRGS de Porto Alegre, suas experiências de apropriação de imagens e videoarte dos anos 1970, bem como propostas de intervenções urbanas e algumas das suas instalações mais recentes. A exposição também oferece a possibilidade de comparar muitas das obras com os esboços e projetos que lhes deram origem, ou mesmo com alguns dos estudos espaciais realizados com maquetes. A experiência da visita é complementada com apresentações de documentos e vídeos informativos.

Esta retrospectiva faz parte da rede de expansão da 34ª Bienal de São Paulo, uma parceria entre o MAC USP e a Fundação Bienal de São Paulo, e reabre o anexo expositivo do museu que passou por reformas para readequação de piso em 2018-2019. Este espaço, ideal para projetos site specific, instalações e grandes obras, está vocacionado para a experimentação artística. Reabri-lo com Regina Silveira é reafirmar tal caráter, próprio de um museu público universitário.

Esta exposição também busca chamar a atenção para alguns aspectos da produção de Regina Silveira que são ainda mais realçados pelo formato de retrospectiva. Em primeiro lugar, a dimensão política é uma característica marcante das obras da artista que integram o acervo do MAC USP, reforçada pela recente doação recebida. A maneira de Silveira problematizar sua realidade não envolve abordar questões explicitamente políticas ou usar imagens propagandísticas. Ela trabalha nas entrelinhas, com aspectos que, embora aparentemente banais, revelam tensões e contradições sociais. Como exemplo, temos as peças em que Silveira se apropria de imagens fotojornalísticas, como a série “Classe Média & Cia.”, Onde uma massa humana aparece compartimentada em formas geométricas.

O gênero é outro elemento que merece atenção. Silveira tem conseguido romper as barreiras do reconhecimento artístico que muitas vezes favorecem os artistas masculinos de sua geração. Ao realizar grandes obras voltadas para ambientes públicos, ela dá visibilidade à presença feminina na arte por meio de sua capacidade de desenhar e mobilizar o circuito da arte, no Brasil e no exterior, para a execução de suas propostas. Também é notável a capacidade da artista em atualizar suas técnicas e materiais ao longo de sua trajetória, adaptando seu processo criativo diante de múltiplos desafios, incluindo o uso de novas mídias, a partir da década de 1970, e mais recentemente de processos digitais. Silveira adentra, assim, um campo que, para a historiografia da arte, tem sido entendido como masculino: o projeto. Ela trabalha a partir da ideia,

Por fim, destacamos em seu corpo de trabalho a recorrência da perspectiva usada como paródia, muitas vezes referindo-se às proposições do artista francês Marcel Duchamp. Questões sobre os códigos de representação, os jogos de luz e sombra, as fronteiras entre a arte e a não arte e a ironia estão presentes de diferentes maneiras na obra de Silveira. Experimentos com anamorfoses, por exemplo, foram a base do álbum “Anamorfas”, sua dissertação de mestrado desenvolvida dentro da então recém-criada linha de pesquisa Poéticas Visuais do Departamento de Belas Artes da ECA USP. São um desdobramento do interesse do artista pela percepção visual e pelo fenômeno das distorções derivadas do ponto de vista. Sombras distorcidas de objetos do cotidiano – como pente, serra, garfo e martelo – quando sobrepostas a outros objetos do cotidiano, ajudam Silveira a criar associações inusitadas.

 

MAC USP exibe retrospectiva 'Regina Silveira: outros paradoxos' como parte da 34ª Bienal de São Paulo
” Equinócio ”, 2002

 

 

MAC USP exibe retrospectiva 'Regina Silveira: outros paradoxos' como parte da 34ª Bienal de São Paulo
Topo – Sombra 2, 1983 – Álbum Simulacros

 

 

MAC USP exibe retrospectiva 'Regina Silveira: outros paradoxos' como parte da 34ª Bienal de São Paulo
” 1001 Dias ”, 2012

 

 

MAC USP exibe retrospectiva 'Regina Silveira: outros paradoxos' como parte da 34ª Bienal de São Paulo
Artifício, 1977

 

 

Regina Silveira: outros paradoxos
28 de agosto a 3 de julho de 2022
Idealização, execução e produção: MAC USP
Projeto expográfico: Alvaro Razuk
Equipe: Daniel Winnik | Lígia Zilbersztejn
Iluminação: Juliana Pongitor e Ricardo Heder
Agradecimentos: Regina Silveira, Luciana Brito, Aline Mylius, Ana Helena Curti

Apoio comunicação: Luciana Mendes, Giulia Bragaglia e Samuel Pereira de Souza (Bolsista PUB)
Estagiário curadoria: Iago Cerqueira
Fotografias: Emerson Simões