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Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza

Uma exposição em São Paulo convida o público para vivenciar a experiência de conhecer uma mostra itinerante de arte, através de suas casas e janelas, entre os dias 22 e 29 de abril. Intitulada “Céu Aberto – O Distanciamento entre o Ser Humano e a Natureza”, a mostra digital une pensamento crítico, arte contemporânea e tecnologia para cultivar a reflexão sobre a relação do ser humano com o meio ambiente, através de obras inéditas de oito artistas nacionais que serão projetadas em paredões urbanos de grande movimentação da capital. A mostra será exibida ao vivo para todo o Brasil, diariamente através do Youtube, onde também será apresentado um mini doc com os artistas.

Simbólica, a abertura acontece na mesma data em que se celebra o Dia da Terra, Dia do “Descobrimento” do Brasil e também, na ocasião da realização da Cúpula dos Líderes Climáticos e do envio de uma Carta de todos os governadores brasileiros ao presidente americano Joe Biden, sobre a crise climática brasileira. O projeto é fomentado pelo edital nº40/2020 do Proac Expresso Lab, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e do Governo Federal através da Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo. A concepção e realização é da Mexe Mexe e a produção é assinada pela Ninas.

Cerca de 16 projetores de 20 mil Lúmens serão utilizados para exibir obras de Roberta Carvalho (PA)Mozart Fernandes (SP) Marta Rijo (Portugal) , Mozart Santos (PE)VJ Suave (SP)Sitah (SP)Lourival Cuquinha (PE)Catharina Suleiman (SP) e Guto Barros (PE), em locais como a Praça Roosevelt, Rua Santa Isabel, Rua Maria Antonia, Largo de Santa Cecília, Avenida São João, Minhocão, Consolação e Vale do Anhangabaú.

São Paulo é o maior centro urbano, comercial e tecnológico do Brasil. Ao mesmo tempo que é onde existem importantes exemplos de opressão a natureza. A expo apresenta trabalhos para informar, levar abstração e gerar movimentações em circuitos diferentes. Oito paisagens de concreto serão modificadas com aparições que irão surpreender as pessoas e levantar o debate sobre questões de relacionamento com as árvores, paisagens, animais e rios, reforçando que “é preciso mais que cuidar, precisamos coexistir de forma positiva, porque há uma retroalimentação de um processo muito sensível entre as partes, e a existência de um afeta no outro diretamente”, lembra Mozart Santos, idealizador da Mostra.

A projeção é uma ferramenta de alto impacto visual urbano que consegue atingir milhares de pessoas em tempo real e outras milhares via compartilhamento nas redes. A ideia da exposição é aliar essa ferramenta ao poder de reflexão que a arte provoca nas pessoas.

Na quinta-feira (22), o pernambucano Mozart Santos abre a exposição com um uma série de fotografias de folhas de plantas das praças de seu bairro, que transformadas em um vídeo, fazem uma reflexão sobre as queimadas e a lenta combustão dos seres vivos que nos proporcionam o ar para respirar.

Vj Suave exibe na sexta (23), a obra “A Natureza Invade a Cidade”, trazendo o questionamento da falta de vida natural nos grandes centros.

No sábado (24), a paraense Roberta Carvalho fala sobre a sensível convivência dos seres humanos com os rios urbanos.

Domingo (25), o designer Mozart Fernandes junto com a bailarina portuguesa Marta Rijo exibem uma performance de dança, sobre o ar e o sufocamento.

Na intervenção “Silêncios”, de Sitah exibida na segunda-feira (26), traz para a cidade de São Paulo traços da Floresta Amazônica. Com imagens da natureza se fundem ao corpo feminino indígena nos lembrando que somos um só organismo.

Na terça-feira (27), a obra de Lourival Cuquinha mostra o que significa a palavra “grilagem” e nos lembra a série de ações predatórias que o Brasil sofre desde seu “descobrimento”.

Catharina Sulleiman traz a delicadeza da natureza feminina para as paredes, através de uma obra feita por camadas, sonhos, memórias e arquétipos do feminino, que poderá ser apreciada na quarta-feira (28).

Guto Barros que se apresenta no encerramento da mostra, na quinta (29), tem uma mirada poética entre caminhos e percursos naturais e artificiais e problematiza o equilíbrio entre eles através de uma performance de rua.

As obras e performances serão exibidas todos os dias, às 20h, através do uma live no canal do Youtube da mostra: https://www.youtube.com/c/CÉUABERTOe em pontos estratégicos de São Paulo.

“A impossibilidade da presença física e o ambiente virtual nos abriu novas possibilidades de experimentações. A intenção do Festival Céu Aberto é movimentar a cena cultural artística, levando uma experiência lúdica para o público que está em suas casas por conta da pandemia e também aproximar as pessoas para esse processo de debates e pensamento crítico sobre o meio ambiente”, comenta o multi-artista Mozart Santos que também é co-fundador do grupo PROJETEMOS.

“Desde as primeiras pinturas humanas, descobertas nas cavernas de Chauvet, na França, a arte muitas vezes cumpre papéis nos rituais que nos ligam ao entorno, aos ciclos da natureza e do ambiente que nos cerca. Quais seriam nossos testemunhos nas paredes dessa caverna urbana a céu aberto que é a cidade de São Paulo? O que desenharíamos, pintaríamos, escreveríamos?”, diz um trecho do texto curatorial da exposição.

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
VJ Suave via Trip

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
Guto Barros

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
Catharina Suleiman

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
Lourival Cuquinha

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
Mozart Fernandes

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
Mozart Santos

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
Sitah

 

Intervenções urbanas da exposição ‘Céu Aberto’ debatem a relação do ser humano com a natureza
Roberta Carvalho

 

 

SOBRE OS ARTISTAS

VJ Suave é um duo de artistas audiovisuais formado por Ceci Soloaga e Ygor Marotta. Residentes em São Paulo, trabalham juntos desde 2009 e são responsáveis pela disseminação do mantra “Mais Amor Por Favor”, em diversas cidades do mundo. Especialista em projeção em movimento, VJ Suave trabalha animação quadro a quadro projetada na superfície urbana, misturando tecnologia com street art.

Catharina Suleiman cria cada obra sua em um processo de camada por camada, que conta histórias sobre a natureza, sonhos, memórias e arquétipos do feminino. A artista explora técnicas como xilogravura, aquarela, stencil, colagem, bordado, fotografia, escultura, tipografia, e tinturaria natural, entre outras. Citado pelo Wall Street International como “provocador de pensamentos”, seu trabalho já foi exposto individual e coletivamente em vários países na Europa, América do Sul e América do Norte, e está presente em coleções como a coleção latino americana da UNESCO e a coleção permanente do museu de arte contemporânea do Peru. Desde de 2013 desenvolve instalações e artes urbanas indoor e outdoor.

Mozart Santos é co-fundador do PROJETEMOS, movimento que ganhou força durante a pandemia por projetar mensagens de conforto, cuidado e informação em periferias e diversas cidades do Brasil, todos os dias, desde o início da quarentena, em 2020. Trabalha com tecnologias para a produção de narrativas audiovisuais urbanas e móveis, unindo fotografia, vídeo mapping, artes plásticas, visualização de dados e pesquisas de software e arte-cinema-expandido para contar histórias através de diferente instalações e com suportes que fogem do habitual. Seu trabalho é focado em 3 eixos: O coletivo, locais fora de eixo de grandes centros comerciais e artísticos, e áreas de uso público. Metade loh tech outra metade hi tech, o artista também é idealizador e motorista da Eletrobike, bicicleta com suporte audiovisual de vídeo volante, com baterias, para ativações em movimento.

Roberta Carvalho desenvolve trabalhos de impacto que envolvem vídeo, intervenção urbana, video-projeção, realidades mistas, instalações, audiovisual e projetos interativos. A paraense é idealizadora do Festival Amazônia Mapping e co-idealizadora do festival MANA, com obras em acervos como o Museu de Arte do Rio (MAR), entre outros. Roberta também foi vencedora do Prêmio FUNARTE Mulheres nas Artes Visuais.

Sitah  tem como principal matéria prima para seus processos artísticos a Amazônia e seus povos originários, floresta e rios. Fotógrafa paulistana com ensaios publicados em revistas como Marie ClaireVida SimplesGQ e Casa Vogue. A artista exibe trabalhos que representam o humano e chamam atenção para os povos originários, que incansavelmente tentam nos acordar para o fato de que sem a Floresta não há vida.

Mozart Fernandes é artista e designer com carreira reconhecida internacionalmente. Há mais de 20 anos, mostra recortes de suas obras para a cidade de SP, com pinturas que estão coladas em dezenas de países e contam com gêneros e temas recorrentes: traços fortes, que traduzem relações humanas que se estabelecem com o meio, quase sempre de forma ambígua.

Lourival Cuquinha atinge o campo político, geralmente partindo de impressões estritas e pessoais. Caracterizadas pela interatividade e pelo diálogo com o público e com o meio urbano, suas obras transitam entre artes visuais, plásticas, audiovisual [fotografia, cinema e vídeo] e intervenções urbanas. Seu trabalho constantemente reflete sobre a liberdade do indivíduo e o controle que a sociedade e a cultura exercem sobre este. Assim como sobre a liberdade da arte e o controle exercido sobre ela, pelas instituições.

Guto Barros é grafiteiro, artista contemporâneo e professor de História e Teoria da Arte. Desenvolve trabalhos e intervenções nas ruas desde 2004. Seus projetos circulam em torno de reflexões sobre contatos, trocas, conexões, disputas entre os códigos do campo da arte e a dimensão da vida cotidiana, estabelecendo uma relação com a rua e seus espaços como local para trânsitos sensíveis. É neste conjunto de espaços que Guto se permite ser afetado pelos sons, texturas, planos, cores e relações – formais, sensíveis, sociais.

 

PROGRAMAÇÃO – Live e Exibições

Quinta-feira, 22 de abril | Mozart Santos

Quarta-feira, 23 de abril | VJ Suave

Sexta-feira, 24 de abril | Roberta Carvalho

Sábado, 25 de abril | Mozart Fernandes

Domingo, 26 de abril | Sitah

Segunda-feira, 27 de abril | Lourival Cuquinha

Quarta-feira, 28 de abril | Catharina Suleiman

Quinta-feira, 29 de abril | Guto Barros