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Intersecções Poéticas

A exposição “Intersecções Poéticas” propõe um diálogo plural entre diferentes poéticas e gerações artísticas reinventando métodos e estratégias que constituem uma resistência do experimentalismo que marca a liberdade de expressão na contemporaneidade. E é na arte da palavra com sensação de acento agudo que enaltecemos esse discurso.

A coletiva organizada por Fernando Cocchiarale e Patricia Toscano, terá participação especial de Anna Bella Geiger como convidada. A presença de Geiger questiona o olhar resistente do mercado de arte aos jovens artistas.

Os artistas Esther Bonder, Fernanda Godoy, Gabriela Fero, Julia Machado, Luiza Furtado, Moema Branquinho, Pedro Amorim e Sabrina Barrios ocupam o espaço apresentando obras de diferentes linguagens e técnicas hibridizadas em projeções, pinturas e instalações que espacializadas dialogam entre si, com a arquitetura local, e exploram as condições atuais arquitetônicas da edificação. Trata-se de um espaço atípico de arte, repleto de memórias, transformado numa atmosfera expositiva.

Isso vem de uma experiência, em certa medida, coletiva, já que todos os artistas durante um período de maneira concentrada, experienciaram os trabalhos uns dos outros. Tal endereçamento se deve à colaboração e as experiências trocadas por eles, referenciados nos trabalhos numa tentativa de interpoética.

A reinvenção de outros parâmetros e novos espaços para produzir arte se faz necessária para que a arte transborde o âmbito estrito das galerias e instituições, instaurando-se um acontecimento poético quase inaudito, transverso pelo signo da surpresa.

Dos mapeamentos poéticos realizados pelos artistas, cada obra traz consigo indícios de diferentes tempos, espaços e memórias. Obras feitas com uma percepção e sensibilidade apurada do mundo e momento político no qual vivemos. Uma percepção que provém de uma imersão na experiência do desconhecido.

Dessa impossibilidade vive o artista: ela alimenta a incessante busca por novos caminhos poéticos. O corpo de artistas desta exposição, incansáveis na busca pelo desconhecido, penetram o poético como telos desta ação.

Das viagens e experiências artísticas, seus trabalhos trazem memórias e signos que afetam o olhar do espectador.

Conscientizam-se de que o foco da arte se deslocou de uma função de representação para uma função relacional com o todo e com os outros. Com o mundo. O objetivo da arte não é somente produzir ou reproduzir imagens para contemplações estéticas, mas criar um espaço e tempo de experiência sensível e reflexiva relacional.

Afirma-se a potência da linguagem cultural e da experimentação, em tempo de crise da liberdade de pensamento e expressão. De certo modo, há uma espécie de profanação quando se ocupa um espaço urbano sem signos clássicos de cubo branco. Libertar o cubo branco de seu fundamento é dar um passo disruptivo na própria ficção estética.

Fernando Cocchiarale
Patricia Toscano
Curadores e críticos de arte