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Galeria Vermelho exibe ‘Mosca Branca’, individual do artista paulistano Henrique Cesar

A Galeria Vermelho apresenta, de 30 de novembro a 29 de janeiro de 2022, a nova individual de Henrique Cesar intitulada ‘Mosca Branca’. Essa é a primeira vez que Cesar ocupa o prédio principal da Vermelho, em sua maior e mais completa exposição até hoje. Texto de Marcos Gallon.

“Em Mosca Branca, Henrique Cesar parte do entendimento das oposições que compõe a ação do homem sobre os diferentes biomas e a transformação provocada por essas mudanças. Nessa observação do círculo da vida, Cesar investiga não o que a natureza da e toma, mas o círculo da vida construído pelo homem.

Na fachada da galeria, o escritório vão arquitetura propõe a instalação dissociação, baseada no deslocamento e aterramento do poste de iluminação da praça que separa o espaço público da rua do espaço privado da galeria.

Mosca branca é um inseto que se alimenta de hortaliças em geral, mas que ataca principalmente as plantações de soja. Seu controle ocorre por meio de agrotóxicos ou introduzindo na plantação outros grupos de insetos que se alimentam dos ovos deixados pela mosca sobre as plantas, como a vespa.

 

Galeria Vermelho exibe 'Mosca Branca', individual do artista paulistano Henrique Cesar
O Homem Velho, 2019, de Henrique Cesar

 

 

Galeria Vermelho exibe 'Mosca Branca', individual do artista paulistano Henrique Cesar
Detalhe de O Homem Velho, 2019, de Henrique Cesar

 

 

Em 2018, a soja representou 14% do valor total das exportações brasileiras. Superando todos os outros bens exportados pelo Brasil, o grão é atualmente a commodity que gera mais divisas para o país. A soja é também o principal responsável pelo atual quadro de desmatamento na Amazônia. 

A planta, que não deveria ser cultivada na forma de monocultura extrativista, precisa vencer a praga para que o motor agropecuário continue a semear o solo nacional e arrecadar lucro. Para isso, a mosca branca precisa ser destruída. O aniquilamento da lavoura pela ação da praga transforma a natureza em um obstáculo a ser vencido pelo homem.

Mosca Branca, nova individual de Henrique Cesar (1987), na Vermelho, evidencia a concepção de mundo baseada na presença simultânea de princípios opostos e incapazes de síntese que caracterizam todo ser que habita o planeta. 

 

Galeria Vermelho exibe 'Mosca Branca', individual do artista paulistano Henrique Cesar
Enead, 2021, de Henrique Cesar

 

 

Galeria Vermelho exibe 'Mosca Branca', individual do artista paulistano Henrique Cesar
Plêiades, 2020, de Henrique Cesar

 

 

Embora não exista na exposição obras que empregam o nome desse tipo de inseto, a mosca branca surge como personagem na pintura O Homem Velho (2019), que relaciona as práticas de plantio e cultivo ancestrais com a observação das estrelas. A pintura conta com dois momentos distintos. Na área inferior da tela, a mosca aparece agigantada como um monstro. Na parte superior, o artista alinha moscas minúsculas ao desenho espacial do grupo de estrelas conhecido como Constelação do Homem Velho criando um paralelo com a maneira cósmica como esses insetos se organizam para devorar o alimento.

Mosca Branca conta com uma pluralidade de trabalhos que surgem em suportes distintos. São pinturas, desenhos, vídeo, peças sonoras e instalações que empregam chorume, piche, resina, borracha e gás. Vários desses trabalhos abordam a ideia de campos de força, de campos eletromagnéticos.”

Marcos Gallon

 

 

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