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Fernando Zarif e sua versátil obra ganham livro e exposição em outubro com lançamento na SP-Arte

O caráter multifacetado e inquieto da obra de Fernando Zarif (1960-2010) será celebrado neste mês de outubro, quando é lançado o livro “Fernando Zarif – Múltipla Unidade”, acompanhado de uma videoexposição que ganha as empenas do Minhocão paulistano. A publicação terá o evento de lançamento na SP-Arte em 23 de outubro, sábado, às 15h. No mesmo dia, haverá pela noite a videoprojeção nas estruturas do elevado do Centro de SP. O Projeto Fernando Zarif, que cuida do espólio artístico de Zarif e fomenta a circulação de sua obra, e a Luciana Brito Galeria, que comercializa os trabalhos de autoria do artista, idealizaram e levam à frente a programação especial.

Organizado pela escritora e crítica literária Noemi Jaffe, edição de imagens de Dora Levy e Letícia Moura, a edição de 243 páginas compila e exibe desenhos, colagens, pinturas e assemblages, entre outros trabalhos, extraídos das mais de duas mil obras encontradas na residência de Fernando Zarif após sua morte aos 50 anos, em 2010 em São Paulo. Entre essas obras, os Cadernos, um compêndio de mais de 50 quilos de desenhos reunidos em 33 volumes, com narrativas visuais compostas por ilustrações, textos e colagens, produzidas com uma infinidade de materiais. O trabalho, descrito pelo artista como um “discurso sobre o desenho”, foi apresentado uma única vez em uma performance no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em junho de 2009.

Além das obras visuais dos Cadernos, Noemi selecionou um recorte dos inúmeros textos espalhados em diferentes suportes – cadernos menores com capa dura, simples com espiral comprados em papelaria, blocos de anotação, blocos de propaganda e muitos papéis soltos, de vários tipos, feitos entre 1984 e 1994.

Verdadeiros livros de artista, todo o conjunto, que vem sendo estudado e recuperado pelo Projeto Fernando Zarif desde sua morte, sintetiza o aspecto movediço e não conformado de um verdadeiro artista multimídia, que espalhava seu talento não apenas pelas artes plásticas do tipo cubo branco – pinturas, desenhos, colagens e esculturas, por exemplo -, transitando, assim, pela performance, pelas ações captadas por vídeo, pelos escritos literários cheios de agilidade e pela cenografia.

Agitador cultural, teve parceiros e amigos que expressavam o vigor e a vitalidade dos anos 1980 e 1990. Vários dos que desfrutaram da convivência com esse ‘turbilhão’ de ideias, como Barbara Gancia, Bia Lessa, Branco Mello, Cacá Ribeiro, Carolina Ferraz, Erika Palomino, Fernanda Torres, Lenora de Barros, Liana Padilha, Malu Mader, Marina Lima, Paulus Magnus, Sergio Mekler e Tony Bellotto, farão uma homenagem a Fernando Zarif e lerão trechos do livro numa videoexposição no centro da cidade de São Paulo, onde partes do livro serão projetadas em sete diferentes empenas de prédios, que poderão ser acompanhadas pelo público a partir do Minhocão. Os vídeos também serão veiculados pelas plataformas digitais da galeria e do projeto.

“Esse conjunto multiforme, tanto de suportes como de formas narrativas, fala tanto sobre a escrita de Fernando Zarif quanto sobre o próprio conteúdo que se encontra nelas”, escreve Noemi no volume.

Fernando Zarif e sua versátil obra ganham livro e exposição em outubro com lançamento na SP-Arte
Página do livro Fernando Zarif – Múltipla Unidade

 

 

Fernando Zarif e sua versátil obra ganham livro e exposição em outubro com lançamento na SP-Arte
Página do livro Fernando Zarif – Múltipla Unidade

 

 

Fernando Zarif e sua versátil obra ganham livro e exposição em outubro com lançamento na SP-Arte
Página do livro Fernando Zarif – Múltipla Unidade

 

 

Fernando Zarif e sua versátil obra ganham livro e exposição em outubro com lançamento na SP-Arte
Página do livro Fernando Zarif – Múltipla Unidade

 

 

Sobre Fernando Zarif

Fernando Zarif (1960-2010) foi um artista de difícil definição e já era multimídia e vivia um hibridismo de meios antes desses dois termos serem utilizados correntemente para se falar do contemporâneo. Desde os tempos escolares nos bancos do tradicional Dante Alighieri, nos Jardins, já se notabilizava pela curiosidade, estimulado pelo avô materno, o poeta Chafic Maluf (1905-1976), e sua mãe, May Zarif, dona de uma livraria.

Na primeira individual, em 1982, apresentava cem polaroides SX-70 na Pinacoteca do Estado. No ano seguinte, executaria solos de música contemporânea no auditório do Masp. Em 1984, ao lado do músico Emanuel Dimas de Melo Pimenta, apresentou performances de definições pouco comuns em centros culturais como o Sesc Pompeia, o Paço das Artes e o CCSP.

Após desenvolver experimentos radiofônicos, em 1989 apresenta sua primeira individual na galeria Millan, Paradoxologia, constituída de objetos, desenhos e uma videoprojeção na abertura. Até 1997, exibiria seus trabalhos em mostras constantes no espaço. Em 1995, o MAM Rio sedia sua maior individual em instituições nacionais. Na França, em 1998, a cidade de Créteil abriga grande retrospectiva do artista, com mais de 200 trabalhos. Também desenhou capas de discos, como  Titanomaquia  (1993), dos Titãs, cenários de teatro e ilustrações para a coluna de Barbara Gancia, na Folha de S.Paulo. Em 2010, morre no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Fernando Zarif e sua versátil obra ganham livro e exposição em outubro com lançamento na SP-Arte
Fernando Zarif – Crédito Vania Toledo

 

Sobre o Projeto Fernando Zarif

O projeto criado em 2011 por uma iniciativa da família e amigos de Fernando Zarif surgiu com o intuito de conservar, estudar e divulgar sua obra. Com o auxílio de uma equipe especializada, o processo se iniciou com a reunião de todo o trabalho de Fernando e a análise cautelosa de suas obras para que pudessem ser mantidas e preservadas de forma adequada. Hoje já conta com mais de 2.000 obras catalogadas e segue no processo de catalogação, restauração e acondicionamento. Há espaço de exposição, reserva técnica climatizada, mobiliários e materiais de conservação desenvolvidos pensando nas especificidades das obras do artista. Tem como missão buscar unir a coleção à proposta artística e a identidade de seu criador, por meio do tratamento documental e exposição de objetos, materiais, livros, textos e fotografias relacionados à sua construção como artista multifacetado.

Sobre a Luciana Brito Galeria

Criada em 1997, a Luciana Brito Galeria foi uma das protagonistas na consolidação do mercado de arte brasileira. Reconhecida nacional e internacionalmente pela qualidade dos artistas que representa, a galeria realiza um trabalho tanto de difusão da produção brasileira no exterior, quanto de divulgação do trabalho de artistas de relevância mundial no Brasil.

No começo dos anos 2000, iniciou-se na galeria um processo de maior internacionalização, com a representação dos argentinos Leandro Erlich e Liliana Porter, culminando mais tarde com Marina Abramovic, Allan McCollum, Alex Katz e Anthony McCall.

Mais recentemente, a galeria assumiu ainda a representação dos espólios de Gaspar Gasparian, Thomaz Farkas e Fernando Zarif. A Luciana Brito Galeria também procura sempre destacar e incentivar as mais novas gerações da arte contemporânea e trabalha na construção e difusão destes artistas do seu programa, como Tiago Tebet, Héctor Zamora, Tobias Putrih, Paula Garcia, Rafael Carneiro e Pablo Lobato.

Em 2015, a Luciana Brito Galeria passou a ocupar a residência modernista Castor Delgado Perez, na av. Nove de Julho, em São Paulo, tombado pelo patrimônio histórico, assinado pelo arquiteto Rino Levi, com projeto paisagístico de Burle Marx e Rino Levi.

SP-Arte
Local: ARCA (av. Manuel Bandeira, 360, Vila Leopoldina, São Paulo)
Período expositivo: de 20 a 24 de outubro de 2021
Horários: quarta, do meio-dia às 21h; quinta a sábado, do meio-dia às 20h; domingo, das 11h às 18h.
Agendamento de visitas: https://www.sp-arte.com
Classificação indicativa: livre
Ingresso: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)