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Exposição inédita ‘Di Cavalcanti, Muralista’ pode ser vista no Instituto Tomie Ohtake gratuitamente

Exposição inédita ‘Di Cavalcanti, Muralista‘ pode ser vista gratuitamente no Instituto Tomie Ohtake entre 2 de junho e 17 de outubro de 2021. Esta exposição inédita com curadoria de Ivo Mesquita, busca enfatizar a produção de murais e painéis de Di Cavalcanti (1897, RJ – 1976, RJ), dedicada à gente brasileira, como toda a sua obra. A brasilidade moderna de Di Cavalcanti está impressa nos 23 trabalhos dispostos em ordem cronológica “de 1925 a 1950” e “de 1950 a 1976”, nos quais pode-se perceber como vai sendo construída a sua figuração, as estratégias no implante das composições, as elaborações formais da sua plástica para essa arte.

A mostra, patrocinada pelo Bradesco, traz os painéis ProBel Trabalhadores (óleo sobre tela, 1955) e Brasil em 4 fases (óleo sobre tela, 1965) e mais 19 pinturas (óleo sobre tela) em grandes dimensões que aludem à mesma técnica e temas utilizados pelo artista para a composição de murais e painéis. Entre as pinturas exibidas estão ‘Serenata’ e ‘Devaneio’, ambas de 1927, que preconizaram o primeiro mural modernista brasileiro, criado por Di em 1929 para o Teatro João Caetano, o díptico Samba e Carnaval, representado na mostra por duas reproduções em vinil na mesma escala. Para que o público possa identificar essa produção, quase impossível de ser transportada, a exposição conta com uma linha do tempo que recupera datas e locais em que as peças foram instaladas.

Conforme a pesquisa de Mesquita, após os murais para o Teatro João Caetano – que ainda permanecem lá -, Di Cavalcanti realiza mais três outros na década de 1930: no Cassino do Quartel do Derby, no Recife, na Escola Chile, no Rio de Janeiro, ambos em 1934 e pintados diretamente na parede, e o painel para o Pavilhão da Cia. Franco-Brasileira de Cafés na Exposição Internacional de Artes e Técnicas na Vida Moderna, em Paris. Este último parece estar desaparecido, mas ganhou medalha de ouro no evento enquanto o do Cassino do Derby foi destruído pelos militares em 1937, período em que o artista depois de preso, exilou-se na França (1936 e 1940). A grande produção dessa arte por Di Cavalcanti se desenvolve no início da década de 1950, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com a rápida industrialização do país e a construção de um Brasil moderno e democrático.

Como aponta o curador, Di Cavalcanti no lugar da retórica dramática de outros muralistas seus contemporâneos, privilegiou narrativas líricas e sensuais, em formas e cores exuberantes. “Sejam esses murais paisagens com mulheres, pescadores, operários, malandros ou candangos, em situação de festa ou trabalho, transmitem sempre certa leveza em levar a vida, a despeito da realidade social que evocam. É o artista inserido no coletivo, reconhecendo-se como parte dele. Di Cavalcanti foi um grande vocal da gente das ruas, dos mercadores e trabalhadores urbanos – incluindo as prostitutas –, de suas famílias, pequenas alegrias, afetos, tragédias e desejos”.

Debruçado sobre a obra de Di Cavalcanti, Mesquita em seu ensaio para a exposição reflete, entre vários aspectos, sobre a relação do artista com os muralistas mexicanos, Diego Rivera, Orosco e Siqueiros, iniciada em 1922 no Rio Janeiro, um ano antes de sua primeira viagem à Paris, assim como com seu contemporâneo Portinari. “Portinari configura o pintor heroico, solitário, militante, comprometido com a gente humilde e despossuída, narrador eloquente da injustiça e da desigualdade, que morre envenenado pelo chumbo de suas tintas. Di Cavalcanti, por sua vez, foi um artista boêmio, o pintor das mulatas, do samba, do carnaval e das festas populares, num mundo de formas sensuais, perverso, que, a seu modo, provocava o maniqueísmo moralista das normas e regras sociais. Dono de uma alma brejeira, hedonista, é o trovador da mestiçagem, o pintor que dá visibilidade à vida dos invisíveis, à força de trabalho suburbana na base da sempre desigual sociedade brasileira.”

 

Exposição inédita 'Di Cavalcanti, Muralista' pode ser vista no Instituto Tomie Ohtake gratuitamente
Emiliano Di Cavalcanti – Devaneio, 1927

 

 

Exposição inédita 'Di Cavalcanti, Muralista' pode ser vista no Instituto Tomie Ohtake gratuitamente
Emiliano Di Cavalcanti – Trabalhadores (Painel Probel), 1955

 

 

Exposição inédita 'Di Cavalcanti, Muralista' pode ser vista no Instituto Tomie Ohtake gratuitamente
Emiliano Di Cavalcanti – Serenata, 1925

 

 

Exposição inédita 'Di Cavalcanti, Muralista' pode ser vista no Instituto Tomie Ohtake gratuitamente
Emiliano Di Cavalcanti – Sem título (Projeto de Painel), 1965

 

 

 

Di Cavalcanti, Muralista

Instituto Tomie Ohtake

De 02 de junho a 17 de outubro de 2021.

De terça a domingo, das 12h às 17h. Entrada franca.