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Experiência negro-diaspórica é fio condutor de histórias no espetáculo ‘Relatos Amefricanos’

Inspirado na categoria político-cultural de amefricanidade, cunhada por Lélia Gonzalez, o espetáculo de dança contemporânea ‘Relatos Amefricanos’ transporta para a tela e os palcos, uma amálgama de histórias que têm a experiência negro-diaspórica como seu fio condutor. No Vale do Paraíba, o eco de uma pergunta: onde estão os negros nos palcos da dança?

A provocação, feita a partir da cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo, conjurou um desejo de dança que se anuncia como o manifesto de Milton Nascimento, no álbum Missa dos Quilombos (1981): estamos chegando do som e das formas / da arte negada que somos / viemos criar / estamos chegando / das margens do mundo nós somos / viemos dançar.

Na proposta coreográfica, três dramaturgias interseccionadas: sobre o racismo, auto-defesa e riqueza para o futuro. Em cena, o grupo que construiu o projeto – entre pesquisa, direção, elenco e equipe técnica -, mirou em uma abordagem transfronteiriça que aproxima Brasil e Peru, duas realidades latino-americanas aparentemente díspares entre si, mas que se entrelaçam quando lidas a partir das lentes de Lélia e de sua concepção amefricana, tomada como base do espetáculo.

A temporada de estreia contará com bate-papos temáticos, após as apresentações. Para a transmissão do dia 20 de novembro, a programação contará ainda com a presença da socióloga Flávia Rios. Co-autora dos livros Lélia Gonzalez (Editora Summus/Selo Negro) e Por um Feminismo Afro-Latino-Americano (Editora Zahar), a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora vinculada ao Afro/CEBRAP é uma das maiores especialistas na obra de Lélia Gonzalez, no país. Apresentações de 20 de novembro a 05 de dezembro. Apresentações no YouTube.

 

Experiência negro-diaspórica é fio condutor de histórias no espetáculo ‘Relatos Amefricanos’

 

 

Experiência negro-diaspórica é fio condutor de histórias no espetáculo ‘Relatos Amefricanos’
Crédito: Christal Araújo

 

 

Sobre a categoria de amefricanidade

Como uma chave que destranca portas ou um mapa que nos guia pelos labirintos da identidade, o pensamento de Lélia Gonzalez nos oferece a possibilidade de pensar a realidade latino-americana através de um marco conceitual que abarca a continentalidade de seu território: a amefricanidade. Essa categoria nos convida a abandonar as concepções eurocêntricas que, historicamente, povoaram nossos imaginários nacionais e nos projetaram como filiais da Europa deste lado do Atlântico.

E se, com uma mão, a história oficializada e o racismo estrutural silenciam e invisibilizam a pluralidade de genealogias que constituem a América, com outra mão estendida, a obra de Lélia Gonzalez restitui, por direito, esses lugares usurpados.

Uma propriedade importante da categoria de amefricanidade reside no fato de ela ser conjugada, simultaneamente, em três tempos verbais: passado, presente e futuro. Tal tecnologia confunde e desafia a lógica da subordinação racial e nos abre um horizonte de possibilidades infinitas, para fundarmos outros mundos aqui e agora.

 

Experiência negro-diaspórica é fio condutor de histórias no espetáculo ‘Relatos Amefricanos’
Crédito: Maycom Santiago

 

Quando?

Apresentações de 20 de novembro a 05 de dezembro

Sextas e sábados às 20h

Domingos às 18h

Onde?

Temporada de estreia on-line

Apresentações no YouTube através do link (https://linktr.ee/relatos.amefricanos)

*Bate-papos acontecerão após cada apresentação.

Conheça mais sobre o espetáculo: www.instagram.com/relatos.amefricanos/

 

Produção e Direção Coreográfica: Gustavo Fataki

Intérpretes-criadores: Quiara Jofre, Diogo de Carvalho, Poliana Nunes e José Liberato

Pesquisa: Maycom Santiago

Trilha Sonora: Julio Rhazec

Desenho de Luz: Rachid Severino

Figurino: João dos Reis

Assistência de Produção: Andrei Gonçalves