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EAV Parque Lage: seminário “Emergência e Resistência – Pedagogias Radicais”

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em parceria com o Instituto Rubens Gerchman, apresenta o Seminário “Emergência e Resistência – Pedagogias Radicais”, série de encontros online abertos e gratuitos sobre pedagogias experimentais no ensino das artes, contemplando não só o contexto regional carioca, como o brasileiro e o latino-americano. O seminário antecipa o lançamento de nova publicação sobre o projeto pedagógico-artístico de Rubens Gerchman (1942-2008), fundador e gestor da EAV Parque Lage nos anos 70.

O seminário teve início no dia 16 de setembro, com troca de experiências e investigações sobre as pedagogias no contexto da América Latina, e prosseguiu nos dias 28 de outubro e 4 de novembro, focando nas experiências regionais dentro do Brasil e Rio de Janeiro. O quarto ciclo, a se realizar no dia 25 de novembro, se debruça sobre a escola enquanto projeto de artista. Com participações de Anna Bella Geiger (BRA), Luis Camnitzer (URU), Gleyce Kelly Heitor (BRA), Jorgge Menna Barreto (BRA), provocações de Keyna Eleison (BRA), Octavio Zaya (ESP), e Mara Pereira (BRA), e com mediação de Ulisses Carrilho, curador da EAV Parque Lage. O encerramento do Seminário conta com um debate online com os autores e organizadores da nova publicação no dia 9 de dezembro, e um lançamento do livro situado, no dia 12 de dezembro. O horário dos encontros é sempre de 15h às 17h.

 

Para Rubens Gerchman, a EAV Parque Lage foi uma criação artística, mais uma de suas obras de arte. No ciclo Escola, Projeto de Artista, pretendemos valorizar artistas como Gerchman e suas contribuições, com convidados que irão compartilhar práticas criativas em que os campos de arte e educação se cruzam, para questionar os papéis de professor e aluno e abordar o ensino artístico como um espaço de troca entre pares.

 

Uma curadoria especial de documentos de arquivos do Memória Lage e do Instituto Rubens Gerchman está disponível no Tumblr, além de registros dos encontros anteriores e reflexões críticas elaboradas pela coletiva de pesquisa curatorial NaPupila.

 

Concepção e organização do seminário: EAV Parque Lage em parceria com Instituto Rubens Gerchman com Isabella Rosado Nunes. O livro é uma realização do Instituto Rubens Gerchman (IRG), da ArtEdu Stiftung, e da Azougue Editorial, com organização de Clara Gerchman, Isabella Rosado Nunes e Sergio Cohn.

 

A artista Anna Bella Geiger apresentará suas experiências pedagógicas ao longo de cinco décadas, abrangendo práticas realizadas no MAM-Rio e no HISK, em Ghent, Bélgica e na  EAV Parque Lage, sendo, até a atualidade professora do dois últimos citados. Os espaços em que transita enquanto educadora instigaram vários trabalhos da Anna Bella, como “Circumambulatio”, trabalho coletivo desenvolvido com seus alunos do curso de artes visuais no MAM-Rio em 1972, entre outros nos jardins do MAM e no Aterro do Flamengo,  assim como vários trabalhos realizados ao redor do palacete do Parque Lage.

 

Luis Camnitzer irá compartilhar sua trajetória e seu compromisso com questões educacionais no campo de arte. Seja como artista, professor ou escritor, Camnitzer sempre reflete sobre o contexto político, bem como sobre o fracasso político do sistema neoliberal e a forma como ele esvaziou cada vez mais as estruturas educacionais.

 

Gleyce Kelly Heitor participará com sua pesquisa sobre o legado político e pedagógico de Paulo Freire nas práticas de educadores, artistas e curadores. Gleyce investiga como o pensamento de Freire dialoga, vem sendo apropriado e se atualiza na relação com o campo da arte contemporânea.

 

A apresentação do Jorgge Menna Barreto aborda como a crise ambiental também é uma crise do pensamento e dos modos de ver e representar o mundo complexo no qual vivemos. Isso quer dizer que artistas e educadores, enquanto escultores da linguagem e do imaginário coletivo, ocupam um papel central nesse debate. Como podemos, a partir desse chamado, reinventar nossas práticas e aguçar nossa habilidade de resposta ao presente espantoso e incapturável que nos assola?

 

EAV Parque Lage: seminário “Emergência e Resistência - Pedagogias Radicais”
Foto: Renan Lima

 

EAV Parque Lage: seminário “Emergência e Resistência - Pedagogias Radicais”
Foto: Renan Lima

 

 

Biografias completas

 

Anna Bella Geiger (Rio de Janeiro, 1933). Participou da 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata em 1952 no Rio de Janeiro. Em 1962 ganhou, com sua obra abstrata, o Primér Premio Casa de las Americas, Havana, Cuba. Tem exposto regularmente desde então, em exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, como em várias Bienais Internacionais de São Paulo, Veneza, Biennale du Jeune (Paris, 1967), II Bienal de Liverpool, 5éme Biennale Internationale de Photographie, (Liège, 2000) e na Trienal Poligráfica de San Juan, 11th International Biennial Exhibition of Prints in Tokyo (1979). Seus trabalhos integram coleções como a do MoMA (Nova York), do Centre Georges Pompidou (Paris), Tate Modern e Victoria and Albert Museum (Londres), Fundación ARCO (Madrid), Petitgas Collection, Getty Institute (Los Angeles), The FOGG Collection (Boston), Hank Hine – TAMPA Museum, Florida, entre outras. Publicou, com Fernando Cocchiarale, o livro “Abstracionismo geométrico e informal” (Funarte, 1987). Ensina no Higher Institute for Fine Arts (HISK, Ghent, Bélgica) e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

 

Luis Camnitzer (1937) artista uruguaio de origem alemã que vive em Nova York desde 1964. Ligado formalmente ao movimento conceitual americano das décadas de 1960 e 1970, figura chave na arte conceitual latino-americana, vem desenvolvendo nos últimos 50 anos uma produção essencialmente autônoma e diferenciada. Seu trabalho explora temas como a repressão sob sistemas de poder, normas pedagógicas e a desconstrução de estruturas familiares. Seu uso da linguagem como meio artístico distinguiu sua prática por mais de cinco décadas. Seu trabalho foi exibido em importantes instituições desde 1960, incluindo, recentemente, uma grande retrospectiva no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (2018-2019).

 

Gleyce Kelly Heitor é educadora e pesquisadora. Graduada em História (UFPE), mestra em Museologia e Patrimônio (Unirio-Mast) e doutoranda em História Social da Cultura, pela PUC-RJ. Foi coordenadora de ensino da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2019), professora substituta do Bacharelado em Museologia da UFG (2017-2018), coordenadora pedagógica nacional do Programa CCBB Educativo Arte e Educação – 2018, realizado pelo JA.CA Centro de Arte e Tecnologia, assessora e coordenadora pedagógica da Escola do Olhar – MAR – RJ (2012-2017) e estagiária na Diretoria de Mediação e Programação Cultural do Museu do Louvre (2016). Atualmente é Gerente de Educação e Participação do MAM Rio.

 

Jorgge Menna Barreto é artista e educador, cujas prática e pesquisa têm se dedicado aos desdobramentos da arte site-specific há mais de 20 anos. Em 2014, fez um pós-doutorado na UDESC, Florianópolis, onde pesquisou relações possíveis entre agroecologia e site-specificity. Em, 2019, dedicou-se a um segundo pós-doutorado na LJMU, Inglaterra, desenvolvendo uma pesquisa que resultará nos projetos que serão apresentados na Bienal de Liverpool em 2021. Menna Barreto aborda as práticas de site-specific a partir de uma perspectiva sul-americana e crítica. Em 2016, participou da 32ª Bienal de São Paulo, onde mostrou o seu premiado projeto “Restauro”: um restaurante-obra que operava a partir de uma rede complexa de regeneração ambiental em colaboração com agrofloresteiros do MST do estado de São Paulo. O projeto viajou para a Serpentine Galleries em Londres, 2017. Em 2020, enquanto residente na Jan van Eyck Academie, Holanda, lançou o periódico Enzyme em colaboração com Joélson Buggilla. Em Genebra, Suíça, tem colaborado com o mestrado em arte socialmente engajada na HEAD – Haute École d’Arts Appliqués, onde coordena a criação de um acordo de cooperação focado em ecopedagogia. Desde 2015, Menna Barreto é professor no Instituto de Artes da UERJ, Rio de Janeiro, e em 2021 se tornará docente do departamento de arte e do mestrado em arte ambiental e prática social na Universidade da Califórnia Santa Cruz, EUA.

 

Keyna Eleison é Diretora-Artistística no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), com Pablo Lafuente. É curadora, escritora, pesquisadora, herdeira Griot e xamã, narradora, cantora e cronista ancestral. Keyna tem experiência extensa em gestão de instituições de arte, cinema e cultura, e  gestão de projetos educativos. É mestre em História da Arte e especialista em História e Arquitetura pela PUC – Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro); bacharel em Filosofia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Participa da Comissão do Patrimônio Africano para laureação da região do Cais do Valongo, como Patrimônio da Humanidade (UNESCO). Curadora do 10a Bienal Internacional SIART, Bolívia (2018-19). Atualmente, é cronista da ​Contemporary & Magazine e professora do Programa de Formação e Deformação da EAV Parque Lage, no Rio de Janeiro.

 

Octavio Zaya (Ilhas Canárias, 1954) é curador independente e escritor de arte. Atualmente mora em Boston, EUA. Zaya foi curador geral e conselheiro do MUSAC (León, 2005-2012), codiretor do Centro Huarte (Pamplona, ​​2007-2009) e curador convidado do Centro Atlántico de Arte Moderno (Las Palmas, 1991-2016), na Espanha. Sua experiência internacional inclui participação da equipe curatorial de Okwui Enwezor na Documenta 11 (Kassel, 1998-2002). Zaya também foi curador na 1ª e 2ª Bienais de Joanesburgo (1995 e 1997) e curador de aproximadamente 30 exposições em museus ao redor do mundo, incluindo o Museu Guggenheim (Nova York, 1976) e outros em Helsinque, Copenhague, Espanha, Itália, África do Sul e Alemanha. Mais recentemente, Zaya foi curador da maior retrospectiva das obras de Luis Camnitzer para o Museu Reina Sofia, Madrid (2018-2019). Também contribuiu como curador do Rios Intermitentes, projeto de Maria-Magdalena Campos-Pons para a Bienal de Havana em Matanzas (2019). Foi Diretor da Atlántica – Journal of Art and Thought, publicação bianual e bilíngue do CAAM (Las Palmas, 2000-2018). Atualmente Octavio Zaya é Diretor Executivo da Fundação de Arte Cubana.

 

Mara Pereira (RJ-ES) é mulher preta, mãe, educadora e pesquisadora em conversa com nossa ancestralidade. Iniciante compromissada com as palavras, imagens, forças da natureza, conhecimentos afro-brasileiros e africanos nas relações raciais, educação antirracista, infâncias e crianças negras, artes visuais e literatura. Doutoranda em Educação – PPGE-UFES; mestra em Artes – PPGArtes-UERJ; especialista em História da Arte e Arquitetura no Brasil – PUC-RJ; bacharela em Produção Cultural – UFF. Foi educadora no Paço Imperial, CCBB-RJ, MAC-Niterói, educadora-supervisora no Museu de Arte do Rio – MAR, coordenadora de educação no CCBB-RJ, Núcleo Experimental de Educação e Arte – MAM Rio, Fundação Eva Klabin e Biblioteca Parque Estadual. Coordenou programas de educação, cultura e arte nas secretarias de cultura de São João de Meriti e de Nova Iguaçu – RJ.