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EAV Parque Lage | Aula aberta curso ‘Pedra e Ar’ com Marlon Miguel, Geni Nuñez e Nadam Guerra

Ao longo de janeiro, fevereiro e março, a EAV Parque Lage vem oferecendo uma série de aulas abertas do curso ‘Pedra e Ar, com transmissão ao vivo pelo Youtube. A próxima será no dia 09 de março (terça), de 10h às 12h, com participação do pesquisador e doutor em artes plásticas Marlon Miguel, da psicóloga e ativista no movimento indígena guarani Geni Nuñez, edoartista visual e bacharel em artes cênicas Nadam Guerra.   

A aula, que integra o 4º ciclo do curso ‘Pedra e Ar’, abordará a temática “Cura e cuidado”. Diante das feridas coloniais, dos traumas coletivos e da perspectiva do fim do mundo como o conhecemos, os participantes apontarão caminhos de como elaborar éticas, práticas e políticas de cuidado e de cura. Contra a estrutura patriarcal das sociedades, como redistribuir as políticas de cuidado, retirando-as do âmbito das atribuições “femininas”?

 

Sobre os participantes

 

Geni Nuñez

Geni Núñez é graduada em Psicologia, mestre em Psicologia Social e Doutoranda em Ciências Humanas (UFSC). Ativista no movimento indígena guarani, membro da Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos (ABIPSI).

 

Marlon Miguel

Marlon Miguel é pesquisador FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) no Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa (CFCUL) e pesquisador afiliado do ICI Berlin. É doutor em Artes Plásticas pela Universidade Paris 8 e em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com uma tese sobre a obra de Fernand Deligny. É ainda responsável pela organização dos arquivos do autor para o Institut Mémoires de l’édition contemporaine (IMEC). Sua pesquisa atual foca nas interseções entre as artes, a psiquiatria, a filosofia e a antropologia. Além da pesquisa acadêmica, pratica circo contemporâneo e desenvolve pesquisas de movimento.

 

Suas publicações recentes incluem: ‘Cartes, objets, installations: le problème de l’art dans la pensée et dans la pratique de Fernand Deligny’ (em La Part de l’œil, 33-34 [2020]); ‘Representing the World, Weathering Its End. Arthur Bispo do Rosário’s Ecology of the Ship’ (em Weathering: Ecologies of Exposure, ICI Berlin Press, 2020); ‘Psychiatric Power Exclusion and Segregation in the Brazilian Mental Health System’ (em Democracy and Brazil Collapse and Regression, Routledge, 2020).

 

NADAM GUERRA

 

Rio de Janeiro, 1977. Bacharel em Artes Cênicas (UniRio), doutor em história da Artes (UERJ). Vive no Rio de Janeiro e em Liberdade, MG, onde coordena o programa de residência para artistas (www.terrauna.com.br) e dirigiu o Ponto de Cultura e Sustentabilidade (2011-2015). Cria obras em texto, vídeo, objeto, jogo e performance. Se interessa pela conexão entre arte e magia ou em como a imaginação se torna vida. Quer salvar o mundo, mas se não der pelo menos vamos viver isso intensamente. Tem obras em parceria com Michel Groisman. Em 2003, criou com Domingos Guimaraens o Grupo UM, lançando o Manifesto UM pelo fim das fronteiras entre artes e organizando esculturas imateriais, teatros abstratos, humanogravuras e chanchadas conceituais. Com o coletivo Opavivará! fez o projeto Moitará, uma ação relacional de trocas.Ganhou os Prêmios: Arte Urbana Sec.RJ (2011), Interações Estéticas do MinC (2009), o Projéteis FUNARTE de Arte Contemporânea (2006), menção honrosa no Art.mov, MG (2006) e Prêmio de realização Dança em Foco (2010). Participou de residências no 102, França (2005), IFEA, UK (2008), URRA, Argentina (2016). Tem obras na coleção do MAM/RJ. Publicou, entre outros, os livros Materializador de sonhos (2012), Rupestre Contemporâneo (2013), Os 12 passos da Virgem do Alto do Moura (2014), Introdução à iconografia da Virgem do Alto do Moura (2016). Leciona cursos de performance na EAV Parque Lage desde 2008 e já levou suas oficinas para diversas instituições do Brasil, México e Argentina. Foi professor substituto na EBA-UFRJ (2016). Foi curador de diferentes festivais em eventos de performance, entre eles: Cinema Manual Convida (Sesc Copacabana 2003), Visor (vários locais (2004, 2005), V::E::R, (2005 – Parque Lage, 2011 – Terra UNA), Sara-há (Saracura, 2016), Panorama de Dança (2017) e Corpos Críticos (2018, 2019).

 

 

 

EAV Parque Lage | Aula aberta curso ‘Pedra e Ar’ com Marlon Miguel, Geni Nuñez e Nadam Guerra
Geni Nunez

 

EAV Parque Lage | Aula aberta curso ‘Pedra e Ar’ com Marlon Miguel, Geni Nuñez e Nadam Guerra
Marlon Miguel

 

EAV Parque Lage | Aula aberta curso ‘Pedra e Ar’ com Marlon Miguel, Geni Nuñez e Nadam Guerra

 

 

Sobre o curso

 

Em resposta à pandemia de Covid-19, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) atua de forma propositiva e realiza o curso on-line gratuito Pedra e Ar, voltado a artistas com poéticas em desenvolvimento. Com aulas até 26 de março, o programa visa fomentar e apoiar a produção artística e discursiva com caráter crítico, experimental e disruptivo por meio de encontros periódicos com artistas, teóricos e demais agentes do campo cultural.

A seleção, feita por meio de edital público nacional, divulgou no dia 10 de dezembro os 12 candidatos selecionados. Uma bolsa de permanência de R$ 600 mensais vai remunerar os participantes do curso, como alternativa à excludente economia material do mundo da arte.

Para a diretora da instituição, Yole Mendonça, esta iniciativa é uma ação contrária ao processo de precarização e vulnerabilidade dos alunos e artistas durante a pandemia: “Esta importante conquista atualiza a radicalidade da EAV, que responde ao grave problema econômico dos trabalhadores da cultura, criando possibilidades para que os artistas não só invistam em formação e ampliem repertório, mas, sobretudo, para que permaneçam sendo artistas”, afirma.

O título do programa toma por empréstimo o nome de um dos objetos relacionais criados pela artista Lygia Clark. “Pedra e Ar” (1966) é constituído de uma pedra — objeto, peso, matéria, signo e forma — e um saco plástico repleto de ar. O sentido desta prática é apreendido a partir do contato, da experiência, da relação e do encontro, num movimento de contração e expansão, próprio daquilo que respira e é vivo.

“Em um momento de crise social e sanitária, interessa imaginar coletivamente que economia material, relacional e afetiva temos urgência em instituir.  É momento das instituições contribuírem de maneira direta na vida dos artistas, não há tempo para metáforas. Com velocidade, precisamos imaginar outros modos de vivermos em sociedade. Enquanto entendermos a arte como um processo meramente simbólico, vamos perpetuar a violenta desigualdade do setor cultural”, reflete Ulisses Carrilho, curador da EAV.

Os encontros têm o objetivo de criar uma comunidade temporária de discussão e ação a partir da arte produzida em todos os estados brasileiros. O curso, que prevê debates em torno do fazer e pensar arte, será realizado em plataformas de videoconferência, por meio de encontros síncronos acompanhados pelos professores-orientadores Clarissa Diniz e Ulisses Carrilho, coordenadores do Programa de Formação e Deformação da EAV Parque Lage. Ao longo do trimestre, serão intercalados exercícios práticos e provocações teóricas, que mobilizarão turma e convidados do campo da cultura em torno de cinco eixos temáticos: ‘Matérias’, ‘Corpos e corporeidades’, ‘Coletividades’, ‘Imagens’, ‘Cura e cuidado’.

Afirmando o caráter público da EAV como escola livre e a crença na arte como um exercício de imaginação, parte da programação acontece de forma aberta, para alunos não matriculados, privilegiando uma mirada pública e crítica aos processos de trabalho. No dia 18 de dezembro, foi realizada uma aula-espetáculo com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da EAV Parque Lage.

A curadora e professora Clarissa Diniz, que coordena o projeto em parceria com Carrilho, apresenta o Pedra e Ar como um processo de conversa e de escuta entre pessoas artistas e não-artistas de lugares diversos: “Quase um ano depois do início da pandemia, será um espaço-tempo para refletirmos sobre nossas percepções, experiências, desejos. Para tanto, convidamos as pessoas participantes a habitar discussões tão íntimas quanto públicas, que se darão a partir de cinco eixos centrais. Teremos encontros, aulas, debates e conversas livres que pretendem historicizar, problematizar, esgarçar e experimentar esses territórios a partir dos atravessamentos criados nessa convivência de verão”, conclui Diniz.

 

Confira o cronograma:

 

SEMANA DE INTEGRAÇÃO

14 a 18 de dezembro, das 10h às 12h

Durante a primeira semana de encontros cada artista participante apresentará brevemente sua trajetória, práticas e principais referências para a turma.

 

AULA ABERTA INAUGURAL

18 de dezembro, das 10h às 12h

Finalizando a semana de integração da turma, realizaremos uma aula aberta com participação de uma professora ou professor com relevância nacional no circuito artístico, e o encontro será acessível a todas e todos interessados por meio do canal do Youtube da EAV Parque Lage, reforçando o compromisso público do curso.

 

CICLOS DE ENCONTROS PERIÓDICOS

11 de janeiro a 26 de março, terças e quintas, das 10h às 12h

As aulas acontecem em ciclos temáticos formados por quatro eixos de investigação: histórias, práticas, problematizações, reflexões.

 

AULAS ABERTAS

19/ janeiro: Aula aberta Ciclo1 – “Matéria”

02/ fevereiro: Aula aberta Ciclo 2 – “Corpos e corporeidades”

23/ fevereiro: Aula aberta Ciclo 3 – “Coletividade”

09/ março – Aula aberta Ciclo 4 – “Cura e cuidado”

23/ março – Aula aberta Ciclo 5 – “Imagem”