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Casa Triângulo apresenta ‘Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso’, exposição de Antonio Henrique Amaral com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca

Entre 21 de setembro e 13 de novembro Casa Triângulo apresenta ‘Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso’, primeira exposição de Antonio Henrique Amaral [1935-2015] na galeria, com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca.

Múltiplo e polifônico, Antonio Henrique Amaral [1935-2015] empenhou-se em construir uma obra que resistisse a sentidos unívocos. Suas mais de seis décadas de produção nos legaram um percurso multifacetado que vem sendo matéria de revisões recentes através de ensaios e exposições monográficas que situam o artista para além das suas icônicas e emblemáticas Bananas, realizadas entre 1968 e 1975.

A mostra ‘Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso’ se soma a este esforço ao estabelecer um recorte menos usual da produção do artista, interessada em recontextualizar trabalhos cuja centralidade é o corpo e suas mais variadas negociações. Veremos, ainda nos anos 1950 e 1960, obras em desenho e gravura – fundamentais para a formação de Amaral – que já apontam figuras antropomórficas deformadas e transfiguradas, pondo em crise os parâmetros de representação na busca por um gesto mais expressivo, fantástico e delirante. Em seguida, a pintura dos anos 1970 manifesta a fusão de máquinas e corpos, metais e vísceras, de modo a questionar os limites entre natureza e cultura e nos provocar a reconhecer o corpo permeado pela dimensão tecnológica.

Mais adiante, os anos 1990 presenciam a série Torsos, com silhuetas alongadas, destituídas de qualquer identidade e suspensas no tempo e no espaço; enquanto os anos 2000 apresentam desenhos em composições que beiram os limites da abstração e sugerem fragmentos estilhaçados feito microrganismos em profusão, típicos dos exercícios de zoom in e zoom out tão bem explorados pelo artista.

Apesar das singularidades de cada época, é possível circunscrever o corpo enquanto eixo profícuo que atravessa a produção de Amaral, seja como pretexto para as mais variadas experimentações plásticas, seja como cerne da investigação dos limites do sujeito, sua identidade e seus embates políticos. Nesse trânsito, Amaral soube conjugar o pessoal e o político; o íntimo e o coletivo, numa obra transpassada pelas influências da cultura de massas, da cultura popular e pelos dilemas de seu próprio tempo.

 

Casa Triângulo apresenta 'Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso', exposição de Antonio Henrique Amaral com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca
antonio henrique amaral . boca, 1966

 

 

Casa Triângulo apresenta 'Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso', exposição de Antonio Henrique Amaral com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca
floresta, 1966

 

 

Casa Triângulo apresenta 'Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso', exposição de Antonio Henrique Amaral com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca

 

 

ANTONIO HENRIQUE AMARAL [São Paulo, 1935-2015] iniciou sua formação artística em meados da década de 1950, estudando desenho com Roberto Sambonet na Escola do Museu de Arte de São Paulo e, em seguida, gravura com Lívio Abramo no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Realizou sua primeira individual, composta por gravuras, no MAM-SP em 1958, e expôs no mesmo ano também no Chile. Convidado pela Organização dos Estados Americanos para exibir suas obras na Pan American Union [Washington, D.C., EUA] em 1959, conseguiu na época uma bolsa da Ingram Merrill Foundation para o Pratt Graphic Art Center [Nova York, NY, EUA], onde estudou gravura com Shiko Munakata e Walter Rogalski. Foi na prática em gravura orientada por Abramo e Munakata que o artista adquiriu a disciplina necessária para lidar com diferentes materiais e técnicas.Como resposta ao golpe militar ocorrido no brasil em 1964, Amaral passou a desenvolver uma obra de cunho explicitamente político e teor satírico, incluindo elementos da cultura popular e de massas, no que se destaca seu álbum de xilogravuras O meu e o seu [1967], então apresentado no Mirante das Artes [São Paulo], galeria em que era sócio Pietro Maria Bardi. O período também marcou o início de seu trabalho em pintura, tendo realizado entre 1968 e 1975 sua emblemática sequência de telas que problematizam o motivo da banana como símbolo nacional. No Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro de 1971, recebeu o prêmio de viagem ao exterior e seguiu para Nova York, de onde retornou em 1981. Outro destaque de sua trajetória é o Painel São Paulo – Brasil: criação, expansão e desenvolvimento [1989], instalado no saguão principal do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo, resultado de sua premiação em concurso. No decorrer de mais de seis décadas de trajetória artística, Amaral apresentou seu trabalho em diversas individuais e coletivas tanto no Brasil quanto em países da América Latina, América do Norte, Europa e Ásia. Suas obras integram diversas coleções públicas importantes no país e no exterior, como: The Metropolitan Museum of Art, Nova York, NY, EUA; Blanton Museum of Art, Austin, Texas, EUA; Art Museum of the Americas, Washington, D.C., EUA; Casa de las Américas, Havana, Cuba; Instituto de Arte Latinoamericano, Santiago, Chile; Latin American Art Collection, Essex University, Essex, Inglaterra; Museo de Arte Americano de Maldonado, Maldonado, Uruguai; Museo de Arte Moderno de México, Cidade do México, México; Colleccion FEMSA, Monterrey, México; Museo de Arte Moderno de Bogotá, Bogotá, Colômbia; Museo Nacional de Arte, La Paz, Bolívia; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo; Museu de Arte de São Paulo, São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro e Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.

Seu trabalho tem sido extensamente discutido por críticos e curadores brasileiros e internacionais, como Paulo Miyada, Aracy Amaral, Jacqueline Barnitz, Damián Bayón, Sheila Leirner, Geraldo Ferraz, Vilém Flusser, Benjamin Forgey, Shifra Goldman, Ferreira Gullar, Casimiro Xavier de Mendonça, Maria Alice Milliet, Frederico Morais, Roberto Pontual, Bélgica Rodríguez e Edward J. Sullivan.

 

 

Casa Triângulo apresenta 'Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso', exposição de Antonio Henrique Amaral com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca

 

Casa Triângulo apresenta 'Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso', exposição de Antonio Henrique Amaral com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca

 

Casa Triângulo apresenta 'Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso', exposição de Antonio Henrique Amaral com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca

 

 

SERVIÇO

Exposição “ANTONIO HENRIQUE AMARAL: PELO AVESSO”

Casa Triângulo

CURADORIA DE POLLYANA QUINTELLA E RAPHAEL FONSECA

ABERTURA: 18.09.2021 DAS 11H AS 15H

PERÍODO DA EXPOSIÇÃO: 21.09.2021-13.11.2021 TERÇA A SEXTA DAS 10H AS 19H . SÁBADOS DAS 10H AS 17H