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Carlos Mélo reflete sobre o Nordeste em ‘Transes, rituais e substâncias’, exposição inédita na Galeria Kogan Amaro

As flexões semânticas são características marcantes no trabalho processual de Carlos Mélo. É a partir delas que o artista articula e ativa determinados assuntos, como a questão do lugar, especificamente o Agreste e o Nordeste, locais investigados pelo artista na exposição ‘Transes, rituais e substâncias’, em cartaz na Galeria Kogan Amaro, de 14 agosto até 18 de setembro 2021. Com curadoria de Marcos Amaro e texto crítico por Márcio Harum.

Pinturas, fotografias, esculturas, desenhos e painel de neon são alguns dos suportes do conjunto de 16 obras inéditas exibidas na mostra. Em comum, elas buscam desfazer a ideia de nordeste, construindo um novo campo simbólico. “Todo meu trabalho artístico em torno das questões do Nordeste tem como objetivo desmontar o seu estereótipo. A minha perspectiva é de uma região contemporânea, industrial e tecnológica, aonde as questões se dão a partir de uma realidade que não depende necessariamente da localização geográfica, mas sim de novos campos simbolistas.”, explica o artista.

Três esculturas têxteis da série overlock, apontam para a forte produção da indústria de jeans no Agreste do Pernambuco. As obras são produzidas com diversos tecidos produzidos artesanalmente por uma cooperativa de costureiras que utilizam resíduos de fabricas de confecções. As esculturas criam uma forte referência às golas do maracatu, a mantos cerimoniais, e trazem uma reflexão em torno da modelagem e customização (paetês e spikes) das confecções de jeans na indústria no interior do estado.

Durante o período em que se aprofundava sobre a indústria têxtil, Carlos constatou o número crescente de motos com a finalidade de transporte de mercadoria, tanto no agreste, como no interior do Brasil, além do grande número de motoboys na cidade devido à pandemia. O resultado é a escultura com capacetes cascos, produzidas com resíduos de capacetes em desuso pelos motoboys de Itu onde o artista residiu e coletou em cooperação com a Associação de Motoboys da cidade.

A série abismos apresenta três auto-retratos que carregam referências ao Nordeste. Em um deles, a figura com cabeça de carranca, cria uma forte relação com as mitologias do Rio São Francisco e seus projetos de transposição representado com a cabeça de uma carranca, em outro desenho o homem parece flutuar coberto de ossos bovinos carregando entres as mãos um ramalhete de flores, e a terceira imagem traz um corpo barroco onde é possível notar um conjunto de ossos, capacete e flores sobre parte do corpo vestido com uma calça jeans.

Uma série de fotografias e um backlight, advindos de uma performance de longa duração compõem a série SAPUKAÎA (ave que grita ou galinha no vocabulário TUPI). Nela, o artista aparece vestido com um paletó em meio a uma paisagem com galinhas vivas sobre o seu corpo. “Os meus trabalhos artísticos ocorrem a partir do ritual e do transe. Eles surgem a partir da ativação deste lugar, deste território. No caso, este trabalho ativa novos campos simbolistas em meio ao impacto cultural e ambiental causado pela presença das indústrias na região.”, pontua Carlos Mélo.

A Galeria funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 19h, e aos sábados, das 11h às 15h. com número limitado de visitantes, uso obrigatório de máscara, além da disponibilização de álcool em gel e orientação de distanciamento mínimo de 1,5 metro entre clientes e colaboradores.

 

Carlos Mélo reflete sobre o Nordeste em 'Transes, rituais e substâncias', exposição inédita na Galeria Kogan Amaro
Sapukaîa, 2021 – Fotografia

 

 

Carlos Mélo reflete sobre o Nordeste em 'Transes, rituais e substâncias', exposição inédita na Galeria Kogan Amaro
Vista da exposição

 

 

Carlos Mélo reflete sobre o Nordeste em 'Transes, rituais e substâncias', exposição inédita na Galeria Kogan Amaro

 

 

Carlos Mélo reflete sobre o Nordeste em 'Transes, rituais e substâncias', exposição inédita na Galeria Kogan Amaro
That’s The Question, 2021

 

 

 

Sobre Carlos Mélo

Carlos Mélo É um artista plástico brasileiro, nascido na província de Permanbuco, uma região formada por uma cultura complexa vista por várias nações africanas, algumas tribos indígenas e européias de origem Moura. Seus trabalhos passam por vídeo, fotografia, desenhos, instalação, escultura e performance, em uma investigação do lugar que o corpo ocupa no mundo. Através de anagramas e ações de performance, o artista aborda imagens e palavras praticando o contorcionismo semântico. Busca convergir o corpo em situações de interação com o ambiente e imagens conceituais que sugerem que seja definido de forma relacional, operando simultaneamente um resgate de aspectos da formação cultural brasileira. Para Suely Rolnik, “a obra de Carlos demarca um território, ou melhor, o estabelece. Como nos animais, isso é feito por meio de dispositivos sempre ritualizados, que são, sobretudo, ritmos. No entanto, diferentemente dos animais. Aqui, o ritual e seu ritmo mudam constantemente; são inventados a cada vez, dependendo do ambiente em que são feitos e do campo problemático que procuram enfrentar, para isso o artista se instala na imanência do mundo, aos pés do real vivo, apenas apreensível pelo carinho.”

Idealizou e realizou a 1ª Bienal do Barro do Brasil, Caruaru (2014). Participou de exposições coletivas como a 3ª Bienal da Bahia, Salvador (2014); No Krannert Art Museum, Universidade de Illinois, Champaign, EUA. (2013); No Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife (2010 e 1999); No Itaú Cultural, São Paulo (2008, 2005, 2002 e 1999); Entre outras. Exposições individuais foram realizadas na Galeria 3 + 1, Lisboa, Portugal (2010); No Paço das Artes, São Paulo (2004); E na Fundação Joaquim Nabuco (Recife, Brasil, 2000). Foi vencendor do Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça de Artes Plásticas (2006). Vive e trabalha em Recife.

 

 

 

Serviço:

Transes, rituais e substâncias de Carlos Mélo

Curadoria: Marcos Amaro

Texto crítico: Marcio Harum

Local: Galeria Kogan Amaro

Abertura: 14 de agosto, sábado, das 11h às 17h

Período expositivo: 14 de agosto a 18 de setembro de 2021

Endereço: Alameda Franca, 1054 – Jardim Paulista

Horário: segunda à sexta, das 11h às 19h e aos sábados, das 11h às 15h, com agendamento prévio
Informações: telefone (11) 3045-0755/0944 ou e-mail [email protected]