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Artista carioca Gabriela Noujaim participa da Bienal de Macau, única no mundo dedicada apenas a artistas mulheres

A carioca Gabriela Noujaim integra a segunda edição da Bienal de Macau, a única no mundo dedicada apenas a artistas mulheres. Com a serigrafia “Mapas, Raposa Serra do Sol e Guardiões da Floresta” (2020), Gabriela Noujaim explica que “os mapas das reservas indígenas nos alertam para o importante papel de preservação das florestas no Brasil”. “Nossas florestas pertencem a todos os brasileiros e cabe a todos cuidarem delas. Minha conexão com a Mãe Terra, entre outras coisas, é reconhecer também esta responsabilidade”.

Artista carioca Gabriela Noujaim participa da Bienal de Macau, única no mundo dedicada apenas a artistas mulheres
Gabriela Noujaim “Mapas, Raposa Serra do Sol e Guardiões da Floresta” (2020)

 

A curadora portuguesa Leonor Veiga, que viveu em Macau até os dezoito anos, tem sua pesquisa focada na relação da arte contemporânea com a tradição – principalmente no sudeste asiático – e ao desenhar sua participação nesta edição da Bienal de Macau acabou por agregar a questão ambiental ao universo feminista que já acompanhava. Colaborou para esta decisão o fato de que, em agosto de 2019, quando começou a desenvolver esta edição da bienal, “a Amazônia estava a arder, o que me deixou muito impressionada”, lembra.

A partir dali, conheceu a produção de Gabriela Noujaim.  “Gabriela utilizou em seu trabalho um papel feito quase nos rudimentos do papel de arroz, e para mim é um dos mais bonitos, mais bem realizados da Bienal”, afirma. Ela destaca ainda que o forte componente sociopolítico contido na obra não é óbvio, o que é importante, pois a Bienal “está em um contexto chinês”, e questões políticas ali são mais delicadas.

Artista carioca Gabriela Noujaim participa da Bienal de Macau, única no mundo dedicada apenas a artistas mulheres
Gabriela Noujaim “Mapas, Raposa Serra do Sol e Guardiões da Floresta” (2020)

 

Prevista inicialmente para abrir no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março deste ano, a Bienal (2020 ARTFEM – Women Artists 2nd International Biennial of Macau) precisou ser reestruturada por conta da pandemia do covid-19, e será inaugurada no próximo dia 30 de setembro, ficando em cartaz até 13 de dezembro de 2020. As artistas são oriundas de vários países da Ásia e Europa, e ainda EUA, Canadá e Austrália.

Gabriela Noujaim é representada pela galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea. As outras duas artistas brasileiras que participam da Bienal são Fernanda Lago (1986) carioca que vive em Petrópolis, e Clarisse Baumann (1988), também carioca, radicada em Montpelier, França.

 

Sobre a artista

Gabriela Noujaim (Rio de Janeiro, 1983) tem estruturado sua poética com interesse pela imagem técnica construída a partir de vídeos, fotografias, gravuras e instalação, tensionando as possibilidades em imaginar outros mundos e futuros, onde as noções de permanência e risco são questionadas. Participou da exposição “Prêmio Jovens Mestres Rupert Cavendish” (Londres, 2011). Recebeu a Menção Honrosa no festival de videoarte “Lumen EX” (Badajoz, Espanha) e o Prêmio de Aquisição da 39a Exposição de Arte Contemporânea de Santo André, SP (2011). Participou de várias coletivas, como “Se Liga” (CCBB RJ) e projeto “Technô” (Oi Futuro Flamengo RJ), em 2015. Foi finalista do 3m Love Songs Festival (Instituto Tomie Ohtake, SP, 2014), e integrou o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), em 2013. Possui obras na coleção do Museu de Arte do Rio; Instituto Ibero-Americano, Berlim; Centro Cultural São Paulo, Escola de Artes Visuais Parque Lage; Museu de Arte Digital, Valência; Galeria Cândido Mendes, Rio de Janeiro; SESC, Copacabana; Palácio de Las Artes Belgrano, Buenos Aires; Espaço Culturais dos Correios, Rio de Janeiro.