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A C. galeria apresenta a coletiva ‘Deriva Continental’ com curadoria de Aldones Nino, a mostra apresenta obras de artistas convidados e artistas representados pela galeria

De novembro até janeiro de 2022, a C. galeria apresenta a coletiva ‘Deriva Continental’ com curadoria de Aldones Nino, a mostra apresenta obras de artistas convidados e artistas representados pela galeria. Tentar reunir em uma superfície de inscrição algo maior que nós mesmos é o desafio levado a cabo por artistas e poetas através do tempo, cada um tentando a sua maneira, dar conta daquilo que os ultrapassa enquanto possibilidades de expansão. ‘Deriva Continental’ reúne os ECOPOEMAS (1983), do poeta chileno Nicanor Parra, com trabalhos de artistas que em diálogo almejam romper com os limites entre subjetividades e seu entorno.

Compreender a dimensão do mundo com nossa acanhada proporção pode ser um desacato ao contentamento físico, sobrando assim, a poética como estratégia de elaboração. Por isso, tanto artistas, quanto poetas se destacam nesse exercício. E nas palavras do filósofo Jean Marc Besse, podemos aproximar também, os cartógrafos, pois tanto Na paisagem do mundo, como na coleção de mapas, encontra-se a mesma tendência à enciclopédia e a mesma preocupação de fazer desta enciclopédia uma experiência visual. Trata-se, na cartografia e na pintura, de reunir, num pequeno espaço, nos limites de uma superfície de inscrição, a totalidade dos caracteres do mundo terrestre.

Limitações geográficas impõem fronteiras políticas e imaginárias, que culturalmente alteram a ordem de vida de populações ao longo da história humana. E quando pensamos em história ̈humana ̈, devemos nos dar conta da insignificância desta frente à história geológica do ambiente sob o qual caminhamos. Podemos alcançar, através da geografia e geologia, tempos onde os atuais continentes não tinham oceanos como bordas (ao menos como conhecemos). Os perímetros continentais dão pistas, que levaram o cartógrafo Abraham Ortelius a apresentar pela primeira vez a hipótese acerca da deriva dos continentes em 1595. Seguido por Charles Lyell, que em Principles of geology (1872) afirmou que os continentes “embora permanentes por épocas geológicas inteiras, mudam suas posições inteiramente com o passar dos anos. A grande lentidão com que sempre ocorre a mudança resulta de uma peculiaridade na configuração externa da crosta terrestre”

E, com base nessas ideias, o geofísico Alfred Wegener foi o primeiro a usar a frase “deriva continental” em Die Entstehung der Kontinente (1912)

 

A C. galeria apresenta a coletiva ‘Deriva Continental’ com curadoria de Aldones Nino, a mostra apresenta obras de artistas convidados e artistas representados pela galeria
Emerson Uýra – S/t (Série: Elementar Fogo), 2018

 

 

A C. galeria apresenta a coletiva ‘Deriva Continental’ com curadoria de Aldones Nino, a mostra apresenta obras de artistas convidados e artistas representados pela galeria
Irmãs Brasil – PINK, 2020

 

A teoria da Deriva Continental só foi finalmente aceita com base em fósseis de répteis aquáticos encontrados no Brasil e na África do Sul (Mesosaurus) e répteis terrestres encontrados na África, Índia e Antártica (Lystrosaurus). Pequenos seres que serviram para aceitação da flutuação de continentes, o macro confirmado pelo micro. Equilíbrio e deslocamentos transtemporais, o múltiplo podendo se revelar uno. Todas essas derivações se dão neste planeta e na atual configuração geológica da Terra, mas ao mesmo tempo não se conformam nelas. Em Deriva Continental, apresentamos sonhos coletivos, que se experienciam em exposição. Assim, a paisagem e a ambiência, embora estejam no mundo, não se configuram apenas por ele, sendo a imaginação capaz de guiar a produção artística por outras realidades possíveis. Temporalidades difusas que confundem e se fundem.

Se Abraham Ortelius em 1595 pode perceber que os continentes vagam como uma massa flutuante pela litosfera terrestre, como concluir que algum postulado possa delimitar o que é possível criar? viver?sonhar? O mundo compartilhado por nós é o mais comum dos possíveis. As urgências climáticas apenas atestam o esgotamento de nossos problemáticos modos de vida. Sendo assim, a deriva, com os pés apoiados nos continentes possíveis de serem habitados, revela-se o único caminho possível.

 

Texto de Aldones Nino

 

A C. galeria apresenta a coletiva ‘Deriva Continental’ com curadoria de Aldones Nino, a mostra apresenta obras de artistas convidados e artistas representados pela galeria
Ana Bia Silva – O que me envolve, 2021

 

 

A C. galeria apresenta a coletiva ‘Deriva Continental’ com curadoria de Aldones Nino, a mostra apresenta obras de artistas convidados e artistas representados pela galeria
Ayla Tavares – Caninana, 2020

 

 

A C. galeria apresenta a coletiva ‘Deriva Continental’ com curadoria de Aldones Nino, a mostra apresenta obras de artistas convidados e artistas representados pela galeria
Brígida Baltar – Algumas perguntas, 2006

 

 

Deriva Continental
Curadoria de Aldones Nino
Até janeiro de 2022
C. galeria
Rua Visconde de Carandaí, 19, Jardim Botânico, Rio de Janeiro
Visitas a exposição de quarta e sexta-feira, das 11h às 19h